Confrontos violentos marcam protestos contra reforma trabalhista de Milei na Argentina
A reforma trabalhista promovida pelo presidente argentino Javier Milei foi aprovada no Senado durante a madrugada de quinta-feira, dia 12 de fevereiro de 2026, após intensos debates e negociações políticas. Com 42 votos favoráveis e 30 contrários, o texto agora segue para análise e possível revisão pela Câmara dos Deputados, onde será debatido nos próximos dias.
O projeto de lei representa uma transformação profunda nas relações trabalhistas argentinas, com medidas que incluem a flexibilização de contratos, redução de indenizações por demissão, facilitação de processos de dispensa e limitação de diversos direitos historicamente consolidados. O governo defende que estas mudanças são essenciais para estimular a formalização em um mercado onde aproximadamente 40% dos trabalhadores atuam na informalidade, além de reduzir custos com ações judiciais trabalhistas.
Violência nas ruas de Buenos Aires
Enquanto os senadores votavam no Congresso, as ruas de Buenos Aires foram palco de violentos confrontos entre forças de segurança e manifestantes que protestavam contra a reforma. Na quarta-feira, dia 11 de fevereiro, tensões explodiram quando policiais tentaram confiscar bandeiras de grupos ativistas de esquerda nas proximidades da Praça do Congresso.
Segundo relatos da imprensa local, os agentes utilizaram spray de pimenta contra os manifestantes, que responderam lançando pedras, garrafas e outros objetos contra as forças de segurança. O jornal Clarín registrou inclusive a preparação de coquetéis molotov por parte dos protestantes, elevando o nível de perigo da situação.
As autoridades responderam com medidas mais contundentes, acionando um caminhão com canhão d'água e disparando balas de borracha para dispersar a multidão. Durante os confrontos, manifestantes chegaram a derrubar uma cerca de proteção, enquanto a polícia voltou a utilizar gás lacrimogêneo. O saldo do conflito incluiu pelo menos quatro agentes de segurança feridos e duas pessoas presas.
Divergências sobre impacto da reforma
Enquanto o governo argentino celebra a aprovação da reforma como um passo necessário para revitalizar a economia, setores da oposição e sindicatos trabalhistas alertam para os riscos da medida. Críticos argumentam que a flexibilização não criará empregos em um cenário de estagnação econômica, queda do consumo e recuo da produção industrial que o país enfrenta.
Daniel Rosato, presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas Industriais Argentinas, destacou que o verdadeiro problema econômico é a destruição de empresas causada pela abertura indiscriminada das importações. Segundo seus dados, aproximadamente 18 mil companhias fecharam nos últimos dois anos, e o setor industrial reivindica que a reforma seja acompanhada de incentivos concretos ao investimento produtivo.
Negociações e prazos apertados
Para garantir a aprovação rápida na Câmara dos Deputados, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original da reforma trabalhista. A meta ambiciosa é transformar a proposta em lei antes de 1º de março, quando Javier Milei abrirá oficialmente o período de sessões ordinárias do Congresso argentino.
A senadora Carolina Losada, aliada do governo, expressou confiança na aprovação final, afirmando que se trata de "a lei possível, que deixará empresários satisfeitos e trabalhadores bastante satisfeitos". No entanto, as mudanças de última hora acertadas até a meia-noite ainda serão conhecidas em detalhes durante o debate parlamentar.
Consequências da política econômica
Desde que Javier Milei assumiu a Presidência em dezembro de 2023, sua política de abertura econômica e redução do Estado já resultou na perda de aproximadamente 300 mil empregos formais, com impactos especialmente significativos nos setores da construção civil, indústria e economias regionais.
Entre os sindicatos, há divergências sobre como responder às mudanças. Enquanto algumas organizações buscam negociação, setores mais combativos como o dos trabalhadores do setor de óleo (Aceiteros) defendem a realização de greves como forma de pressionar o governo a rever aspectos da reforma considerados prejudiciais aos direitos dos trabalhadores.
Os próximos dias serão decisivos para o futuro da reforma trabalhista argentina, com debates parlamentares intensos e a possibilidade de novos protestos nas ruas enquanto deputados analisam o texto aprovado pelo Senado.