Argentina: confronto violento entre polícia e manifestantes durante debate da reforma trabalhista de Milei
Confronto violento na Argentina durante debate da reforma trabalhista

Argentina: confronto violento entre polícia e manifestantes durante debate da reforma trabalhista de Milei

A tarde desta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, foi marcada por cenas de violência extrema em frente ao Senado argentino, onde manifestantes e forças de segurança entraram em confronto durante o debate sobre o polêmico projeto de reforma trabalhista apresentado pelo governo de Javier Milei.

Manifestação degenera em violência

Enquanto sindicatos e movimentos sociais se reuniam para protestar contra a iniciativa governista, um grupo de manifestantes avançou sobre as barricadas erguidas perto do Congresso Nacional na Avenida Rivadavia, em Buenos Aires. Segundo relatos do jornal argentino El Liberal, os confrontos começaram por volta das 15h locais, quando membros de grupos de esquerda removeram uma das barricadas e a utilizaram para tentar atingir os policiais.

O cenário rapidamente se deteriorou quando manifestantes começaram a lançar coquetéis molotov contra o cordão de segurança e quebraram calçadas para arremessar pedras contra os policiais que cercavam o edifício parlamentar no centro da capital argentina. Testemunhas relataram que um homem pegou um pedaço de pau e tentou atacar as forças de segurança que formavam uma linha de contenção atrás da cerca metálica.

Resposta policial com gás e canhão d'água

Diante da escalada do conflito, a polícia argentina respondeu com gás lacrimogêneo e utilizou um canhão de água para dispersar os manifestantes. A tensão durou vários minutos em um dia marcado por milhares de pessoas nas ruas em protestos sociais e forte presença policial ao redor do edifício parlamentar.

O confronto ocorreu enquanto dentro do Senado se debatia o projeto de reforma trabalhista que, segundo o governo, tem apoio suficiente para aprovação em primeira instância. A Casa Rosada acredita que as mudanças são necessárias para estimular a formalização em um mercado de trabalho onde aproximadamente 40% dos trabalhadores atuam na informalidade.

Conteúdo polêmico da reforma

O projeto governista propõe mudanças profundas no mercado de trabalho argentino, incluindo:

  • Flexibilização dos contratos trabalhistas
  • Redução significativa das indenizações por demissão
  • Facilitação do processo de demissão
  • Limitação do direito de greve
  • Permissão para pagamentos em espécie
  • Fracionamento das férias dos trabalhadores

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) considera estas medidas "regressivas" e prejudiciais aos direitos dos trabalhadores. Por outro lado, o governo Milei argumenta que estas mudanças, somadas à redução dos encargos sociais para empregadores, são estímulos essenciais para a formalização do trabalho.

Divergências e contexto econômico

A oposição e os sindicatos questionam a eficácia da reforma, argumentando que não há criação de empregos em uma economia que apresenta sinais de estagnação, queda do consumo e redução da produção industrial. Daniel Rosato, presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas Industriais Argentinas (IPA), destacou que "o verdadeiro problema é a destruição de empresas pela abertura indiscriminada das importações", informando que nos últimos dois anos cerca de 18 mil companhias fecharam no país.

A pequena indústria, principal empregadora da Argentina, reivindica ao governo que a reforma trabalhista seja acompanhada de incentivos ao investimento fabril, argumentando que apenas flexibilizar direitos sem estimular a produção não resolverá os problemas estruturais do mercado de trabalho.

Negociações e prazos apertados

O governo negociou aproximadamente 30 modificações ao projeto original para garantir sua rápida aprovação anterior na Câmara dos Deputados. O objetivo da administração Milei é fazer com que a reforma se torne lei antes de 1º de março, quando o presidente abrirá o período de sessões ordinárias do Congresso.

Desde que Milei assumiu em dezembro de 2023, sua política de abertura da economia e redução do Estado provocou a perda de cerca de 300 mil empregos formais, com impacto particularmente forte na construção civil, na indústria e nas economias regionais. Este contexto explica em parte a intensidade dos protestos e a determinação do governo em avançar com a reforma trabalhista apesar da forte oposição.