O atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych revelou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, que foi explicitamente impedido pelo Comitê Olímpico Internacional de utilizar um capacete especial durante as competições dos Jogos Olímpicos de Inverno. O equipamento em questão continha imagens de atletas ucranianos que perderam a vida no conflito armado contra a Rússia, incluindo amigos pessoais do esportista.
Decisão baseada na Regra 50 da Carta Olímpica
Segundo Heraskevych, um representante do COI responsável pela comunicação com atletas e comitês nacionais deslocou-se até a Vila dos Atletas para comunicar a decisão. "Ele disse que é devido à Regra 50", afirmou o atleta à agência Reuters. A regra 50.2 da Carta Olímpica estabelece claramente que "nenhum tipo de demonstração ou propaganda política, religiosa ou racial é permitida em locais, instalações ou outras áreas olímpicas".
Homenagem a atletas falecidos no conflito
O capacete projetado por Heraskevych trazia fotografias de sete compatriotas:
- Alina Perehudova, halterofilista adolescente
- Pavlo Ischenko, boxeador
- Oleksiy Loginov, jogador de hóquei
- Ivan Kononenko, ator e atleta
- Mykyta Kozubenko, mergulhador e técnico
- Oleksiy Habarov, atirador
- Daria Kurdel, dançarina
A iniciativa de usar este capacete nos Jogos de Milão-Cortina havia recebido apoio público do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, que através do Telegram agradeceu a Heraskevych "por lembrar o mundo do preço da nossa luta".
Posicionamento do Comitê Olímpico Internacional
O COI, por sua vez, informou que não recebeu nenhum pedido oficial do Comitê Olímpico da Ucrânia para autorizar o uso do capacete nas competições de skeleton, que estão programadas para começarem em 12 de fevereiro. Esta não é a primeira vez que Heraskevych utiliza o esporte como plataforma para manifestações sobre o conflito: durante os Jogos de Pequim em 2022, ele exibiu um cartaz com a frase "No War in Ukraine" dias antes da invasão russa.
Contexto histórico de protestos no esporte olímpico
A relação entre esporte e manifestações políticas tem longa história nos Jogos Olímpicos. O episódio mais emblemático ocorreu em 1968, na Cidade do México, quando os velocistas norte-americanos Tommie Smith e John Carlos ergueram punhos com luvas pretas durante a cerimônia de premiação dos 200 metros, em protesto contra a injustiça racial nos Estados Unidos. Ambos foram expulsos da competição, embora tenham mantido suas medalhas.
Mais recentemente, durante os Jogos de Paris-2024, a breakdancer afegã Manizha Talash, integrante da equipe olímpica de refugiados, foi desclassificada após usar uma capa com o slogan "Free Afghan Women" em uma competição classificatória. Contudo, nem todas as manifestações resultam em punição: a seleção feminina de futebol da Austrália exibiu a bandeira dos povos originários do país nos Jogos de Tóquio sem consequências, e dois ciclistas chineses que usaram broches com a imagem do ex-presidente Mao Tsé-Tung receberam apenas advertência.
Panorama atual do esporte ucraniano e russo
Após a invasão da Ucrânia em 2022, atletas da Rússia e de Belarus foram amplamente excluídos do cenário esportivo internacional. Posteriormente, o COI passou a defender um retorno gradual desses atletas, sob condições específicas. As autoridades de Moscou e Minsk mantêm a posição de que o esporte deve permanecer separado de conflitos internacionais, enquanto a Ucrânia continua a utilizar plataformas esportivas para conscientização sobre o custo humano da guerra.