Caso Epstein provoca renúncia de alto funcionário e aprofunda crise no governo britânico
O mais alto funcionário do governo britânico, o secretário de gabinete Chris Wormald, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira, dia 12 de setembro, aprofundando significativamente a crise política que assola o governo do primeiro-ministro Keir Starmer. A decisão ocorre em meio às revelações contínuas e impactantes do caso Jeffrey Epstein, que já sacode as estruturas do poder no Reino Unido.
Terceira baixa em poucos dias na equipe de Starmer
Em um comunicado oficial divulgado, Chris Wormald confirmou que concordou com o primeiro-ministro Keir Starmer em renunciar ao prestigioso posto de Secretário do Gabinete. Com essa saída, Wormald se torna o terceiro membro importante da equipe governamental a deixar suas funções em um curto espaço de tempo, seguindo uma tendência preocupante para a administração trabalhista.
"Sou profundamente grato a Sir Chris por sua longa e distinta carreira no serviço público, que abrange mais de 35 anos de dedicação, e pelo apoio fundamental que me proporcionou ao longo deste último ano", declarou Keir Starmer em resposta à renúncia. O primeiro-ministro acrescentou, em tom conciliador, que "concordou com sua renúncia ao cargo de Secretário do Gabinete hoje", reconhecendo a gravidade do momento político.
Origem da crise: as ligações com Jeffrey Epstein
A crise atual tem suas raízes nas revelações sobre as conexões entre o ex-embaixador do Reino Unido em Washington, Peter Mandelson, e o falecido empresário Jeffrey Epstein, condenado por comandar uma extensa rede de tráfico sexual e abuso de menores. Documentos recentemente publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que Mandelson recebeu quantias significativas de dinheiro de Epstein e, ainda mais grave, teria vazado documentos governamentais britânicos considerados altamente sigilosos.
Keir Starmer, que pessoalmente nomeou Mandelson para a posição de embaixador, vem enfrentando uma onda crescente de pressões, tanto de forças políticas externas quanto de facções internas de seu próprio partido, o Trabalhista. Muitos exigem sua renúncia imediata, argumentando que a escolha de Mandelson demonstrou um grave erro de julgamento e comprometeu a integridade do governo.
Resistência do primeiro-ministro e divisão partidária
Em um pronunciamento firme na última terça-feira, dia 10 de setembro, Keir Starmer declarou publicamente que não renunciaria ao cargo de primeiro-ministro, demonstrando determinação em meio ao turbilhão político. "Jamais abandonarei o mandato que me foi confiado para transformar e melhorar este país", afirmou Starmer a jornalistas, com convicção. "Jamais abandonarei o povo pelo qual tenho a profunda responsabilidade de lutar, e jamais abandonarei a nação que amo com todo o meu coração."
No entanto, a popularidade do primeiro-ministro encontra-se em níveis criticamente baixos, atingindo aproximadamente 18% segundo pesquisas recentes, o que já representava uma fragilidade considerável para seu governo. O caso Epstein e a polêmica nomeação de Peter Mandelson abalaram ainda mais a credibilidade e a autoridade de Starmer, criando um cenário de instabilidade política sem precedentes em seu curto mandato.
Investigação criminal e futuro incerto
A polícia britânica, reconhecendo a gravidade das acusações, já abriu uma investigação criminal formal para apurar minuciosamente as ligações entre Peter Mandelson e Jeffrey Epstein, bem como os supostos vazamentos de documentos confidenciais. Este processo investigativo adiciona uma camada de complexidade jurídica à já delicada situação política, podendo resultar em consequências legais severas para os envolvidos.
Internamente, o Partido Trabalhista encontra-se profundamente dividido: uma facção expressiva pede a renúncia imediata de Keir Starmer, enquanto outra ala demonstra apoio total e incondicional ao líder. Esta queda de braço interna, marcada por tensões e disputas de poder, pode representar o início de uma ruptura significativa dentro do governo britânico, ameaçando sua coesão e capacidade de governar efetivamente.
O desfecho desta crise política permanece incerto, mas é evidente que as revelações do caso Epstein continuarão a ecoar nos corredores do poder em Londres, moldando o futuro do governo de Keir Starmer e testando a resiliência das instituições democráticas britânicas.