O homem do porrete: Cabello desafia companheiros e até Donald Trump na Venezuela
Com um político preso pela segunda vez em poucas horas, o aliado de Cuba e homem forte do regime venezuelano mostra uma disputa interna acirrada e reabre uma pergunta crucial: por que ele está solto? A atuação de Diosdado Cabello não apenas impede a normalização democrática, como também desmoraliza os esforços de redemocratização supervisionados pelos Estados Unidos.
Pior do que Maduro: o desafio aberto de Cabello
Diosdado Cabello está reafirmando seu poder em contrapartida aos que colaboram com os Estados Unidos. O ministro do Interior e principal colaborador de Cuba na Venezuela justificou o injustificável com palavras duras: "Alguns políticos acham que podem fazer o que lhes der na cabeça e enganar o país violando as condições com as quais lhes foi dada a liberdade".
Assim, falando grosso e como dono do poder, ele ordenou a prisão de Juan Pablo Guanipa, braço direito de María Corina Machado. Isso ocorreu poucas horas após Guanipa ser solto da mais execrável prisão política do país, onde passou nove meses literalmente na escuridão, uma punição que repugna às consciências de todo o mundo.
Métodos habituais e um desafio direto
A segunda prisão seguiu os métodos habituais do regime:
- Agentes sem identificação interceptando o alvo na rua
- Desaparecimento por várias horas
- "Devolução" para cumprir prisão domiciliar
Esta brutal intervenção representa um desafio direto aos dois principais dirigentes políticos da Venezuela atualmente: os irmãos Rodríguez. Delcy Rodríguez é a presidente interina, enquanto Jorge Rodríguez preside a Assembleia Nacional.
O que se constrói de dia, se destrói à noite
Enquanto os irmãos Rodríguez buscam uma transição sem quebra de hierarquia durante o dia - um processo estranho e inédito supervisionado pelos Estados Unidos - Diosdado Cabello desfaz tudo durante a noite. Conhecido como "o homem do porrete", ele ganhou infâmia num programa de televisão onde empunhava a arma literalmente, simbolizando sua abordagem brutal.
Normalização impossível com Cabello livre
É impossível não se perguntar como Cabello, que responde aos operadores cubanos em ação na Venezuela, está livre para conspirar contra os integrantes do regime cooptados para colaborar com os Estados Unidos. Como Nicolás Maduro - agora recolhido ao sistema prisional americano - Cabello foi investigado oficialmente por tráfico de drogas nos Estados Unidos.
Havia uma recompensa de 25 milhões de dólares por sua captura, metade da oferecida por Maduro. Enquanto ele estiver em operação, qualquer projeto de normalização e transição democrática se torna inviável, mesmo em perspectiva longínqua.
O plano de Trump em risco e Rodríguez desmoralizados
Com Diosdado Cabello atuando livremente, o plano de Donald Trump para a Venezuela não pode dar certo. Os irmãos Rodríguez ficam desmoralizados em seus esforços. Jorge Rodríguez tem sido o principal porta-voz dessa transição, buscando segundo suas próprias palavras:
- Restabelecer a normalidade institucional
- Reduzir a polarização política
- Construir consensos básicos para um novo calendário eleitoral
Discurso perfeito, realidade brutal
O presidente da Assembleia Nacional chegou a declarar: "O interesse da Venezuela é seguir adiante e promover a saúde, a educação e a cultura através de uma economia de mercado livre". Um discurso espantoso considerando sua ficha política anterior, mas que desaparece num passe de mágica diante da ação fulminante de Cabello.
Sumiu assim o fracassado socialismo do século XIX, responsável por arruinar o país de tal maneira que quase um terço da população teve de buscar a sobrevivência em outras paragens. Existe um entendimento crescente com os Estados Unidos que, se realizado, seria benéfico para a Venezuela.
Experimento sem precedentes com obstáculo intransponível
Existe, obviamente, um Cabello no meio do caminho. Ele continua a operar as forças policiais e os serviços de inteligência, com forte presença cubana. Chamou a captura de Maduro de "ataque bárbaro e traiçoeiro" e deve sentir-se suficientemente seguro para falar isso e mandar prender e soltar opositores.
Nesse caso, torna-se mais importante do que Delcy Rodríguez e seu irmão. Um ex-integrante do governo revelou ao New York Times que Cabello era um mistério até para integrantes do regime, com poucos aliados conhecidos exceto alguns militares.
Mais perigoso que Maduro
Uma analista do Eurasia Group, Risa Grais-Targow, foi categórica: "Ele é tão ruim quanto Maduro, se não mais". Sem dúvida nenhuma, muito mais. Quem sujava - e continua a sujar - as mãos na repressão direta é ele. Agora, passou a intimidar os detentores visíveis do poder dentro do próprio regime.
Será fundamental observar como Donald Trump e seu secretário de Estado Marco Rubio, designado como CEO para a Venezuela, lidarão com Diosdado Cabello para seguir adiante com o experimento sem precedentes que estão tentando implementar no país.