Brasileiros estão entre os que mais acreditam que políticas de Trump são boas para o mundo, aponta pesquisa internacional
Os brasileiros se destacam entre as populações de grandes economias que mais acreditam que as políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são positivas para o mundo. Esta é uma das principais conclusões de uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (9) pela Conferência de Segurança de Munique, que revela percepções complexas sobre a gestão do republicano em seu segundo mandato.
Dados da pesquisa mostram Brasil em terceiro lugar no ranking
De acordo com o estudo realizado em novembro de 2025, 34% dos brasileiros concordam que as políticas de Trump são boas para o mundo. Este percentual coloca o Brasil na terceira posição entre os países pesquisados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (37%) e da Índia (36%). A pesquisa abrangeu nações do G7 – Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido – além do Brasil, Índia, China e África do Sul.
Contudo, os números revelam uma divisão significativa na opinião pública brasileira. Metade dos entrevistados no Brasil (50%) discorda que as políticas de Trump sejam benéficas para o mundo, mesmo percentual registrado entre os americanos. A maioria dos cidadãos nos onze países pesquisados enxerga com maus olhos a gestão do republicano, indicando um cenário internacional de preocupação.
Percepções sobre impacto nas relações bilaterais
Quando questionados se as políticas de Trump seriam boas para o próprio Brasil, 30% dos brasileiros concordaram com a afirmação, enquanto 53% discordaram. Esta percepção mista reflete os desafios enfrentados pela diplomacia brasileira para manter uma relação estável com os Estados Unidos durante o segundo mandato de Trump.
O relatório da conferência destaca que muitos que inicialmente receberam Trump com otimismo tiveram experiências que os fizeram refletir. O Brasil e a Índia foram alvo de algumas das tarifas alfandegárias mais altas do mundo impostas pelos EUA, enquanto África do Sul e Brasil enfrentaram interferências significativas de Washington em suas políticas democráticas internas.
Contexto histórico das relações Brasil-EUA
Trump iniciou seu segundo mandato na Casa Branca em 20 de janeiro de 2025, afirmando que não precisava do Brasil. Seis meses depois, ele saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro – hoje preso em Brasília – e ordenou um tarifaço sem precedentes que abalou a parceria econômica de mais de dois séculos entre os dois países.
A Casa Branca aplicou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa com base na Lei Magnitsky, usada para punir unilateralmente supostos violadores de direitos humanos no exterior. Estas sanções seriam retiradas apenas em dezembro de 2025.
O cenário começou a mudar na reta final do ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com Trump, em um movimento que permitiu o progressivo alívio das tensões entre as duas nações.
Preocupação internacional e alertas do relatório
Na contramão do Brasil, os países que veem com maior preocupação os efeitos do governo Trump são Canadá, Alemanha e França. Entre os canadenses, 77% discordam que as políticas do vizinho sejam boas para o próprio Canadá, refletindo o deterioração das relações desde o início do segundo governo Trump.
O relatório alerta para a destruição da ordem internacional por homens demolidores que, seguindo o exemplo do atual inquilino da Casa Branca, preferem desmantelar instituições a reformá-las. O documento cita como outros exemplos o presidente argentino Javier Milei, o bilionário da tecnologia Elon Musk e numerosos políticos que apelaram abertamente à destruição de burocracias, tribunais ou acordos internacionais.
Estes homens demolidores prosperam graças à decepção generalizada com o status quo e reivindicam um mandato para rupturas radicais, tanto a nível nacional como internacional. A análise alerta que a ascensão dessas lideranças pode ser uma das tendências mais transcendentais do século 21, levando as sociedades democráticas liberais até – ou além – de seu ponto de ruptura.
Panorama europeu e próximos desdobramentos
Na Europa, analistas citados no relatório afirmam que a população se vê pressionada pelo fim de uma era na qual o continente podia se proteger sob o guarda-chuva de segurança dos Estados Unidos. A implacável agressão militar e híbrida de Moscou destruiu as ilusões de uma paz duradoura, enquanto a retirada gradual de Washington expôs as persistentes deficiências militares da Europa, afirma Nicole Koenig, chefe de política da conferência.
A próxima edição da Conferência de Segurança de Munique acontecerá de 13 a 15 de fevereiro, em um momento de alta tensão entre os EUA e a Europa, após Trump elevar o tom das ameaças contra a Groenlândia neste ano. O estudo serve como um importante termômetro das percepções globais sobre as políticas americanas em um cenário internacional cada vez mais polarizado.