Encontro presidencial fortalece laços entre Brasil e Coreia do Sul
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, consolidaram uma nova fase nas relações bilaterais durante encontros realizados no contexto internacional. A terceira viagem de Lula ao país asiático, caracterizada como visita de Estado, carrega um peso político, econômico e diplomático significativo para ambas as nações.
Acordos abrangentes e plano estratégico
Os dois líderes anunciaram a assinatura de acordos de cooperação em diversas áreas estratégicas, incluindo comércio, minerais críticos, saúde, empreendedorismo, agricultura, ciência, tecnologia e combate ao crime organizado transnacional. Lee Jae Myung revelou que os países traçaram um plano de quatro anos para estabelecer relações bilaterais mais sólidas nos campos político, econômico e de intercâmbios.
Segundo o presidente sul-coreano, o turismo brasileiro na Coreia do Sul registrou um crescimento expressivo de 25% nos últimos anos, refletindo o fortalecimento dos laços culturais entre as sociedades. Lula, por sua vez, destacou o potencial para parcerias em segmentos de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial, além de setores que vão da indústria de beleza ao audiovisual.
Diálogo comercial e integração regional
Durante as conversações, Lula abordou especificamente o comércio de carnes, expondo ao presidente Lee que a conclusão dos procedimentos sanitários para exportação de carne bovina brasileira poderá beneficiar diretamente os consumidores coreanos. O presidente brasileiro também manifestou a intenção de trabalhar para a retomada das relações entre a Coreia do Sul e o Mercosul, ampliando as possibilidades de integração econômica.
Esta visita presidencial ocorre em um contexto de crescente aproximação entre os países, que mantêm relações diplomáticas desde 1959. Interlocutores do Ministério das Relações Exteriores destacam que a afinidade entre Lula e Lee Jae Myung ficou "clara e evidente" em encontros anteriores realizados no Canadá e na África do Sul.
Plano de ação e estratégia geopolítica
A expectativa é que os líderes assinem um "Plano de Ação 2026-2029", documento que formalizará um nível mais estratégico de cooperação bilateral. Além disso, devem discutir áreas consideradas prioritárias e trocar avaliações sobre o cenário geopolítico internacional.
A viagem se insere em uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de ampliar a presença do país na Ásia e abrir novos mercados na região. A ideia central é diversificar parceiros comerciais, aumentar exportações e atrair investimentos, reduzindo a dependência de parceiros tradicionais e fortalecendo a política externa econômica do Brasil.
Relações econômicas e intercâmbio cultural
A Coreia do Sul consolida-se como um parceiro econômico relevante para o Brasil, tendo anunciado cerca de US$ 8,8 bilhões em investimentos no território brasileiro desde 2024, com quase 80% concentrados na indústria de transformação. No comércio bilateral, o fluxo entre os países somou US$ 10,8 bilhões no ano passado, com superávit de US$ 174 milhões para o lado brasileiro.
Paralelamente, a presença da cultura coreana no Brasil cresceu de forma expressiva, impulsionada pelo sucesso global do k-pop, séries de TV, cinema e, mais recentemente, pela popularização do skincare coreano. Produtos e rotinas de cuidados com a pele inspirados na "K-beauty" ganharam espaço nas redes sociais e no varejo, despertando o interesse do setor de cosméticos brasileiro por inovações tecnológicas coreanas.
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, Janja, acompanhou parte da agenda presidencial, cumprindo compromissos próprios com a primeira-dama sul-coreana e participando de intercâmbios culturais, como a degustação de doces que viraram febre na Coreia do Sul. Esta visita histórica confirma o bom momento nas relações entre Brasil e Coreia do Sul, estabelecendo bases para uma cooperação bilateral mais profunda e diversificada nos próximos anos.