Brasil e Coreia do Sul elevam parceria a novo patamar estratégico com plano de ação
Brasil e Coreia do Sul elevam parceria a novo patamar estratégico

Brasil e Coreia do Sul elevam parceria a novo patamar estratégico com plano de ação

Em um encontro histórico realizado no Cheong Wa Dae, sede presidencial sul-coreana, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Jae Myung anunciaram nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, o reforço das relações bilaterais entre Brasil e Coreia do Sul para um novo patamar estratégico. A decisão marca um momento significativo na diplomacia internacional, com a formalização de um plano de ação com duração de quatro anos e a apresentação de um conjunto abrangente de acordos de cooperação.

Ampliação do intercâmbio político, econômico e tecnológico

A reunião, que ocorreu no segundo dia da agenda oficial de Lula na Coreia do Sul, incluiu compromissos institucionais e encontros voltados ao fortalecimento das relações comerciais e estratégicas. Embora os detalhes específicos do acordo não tenham sido divulgados integralmente, há uma forte expectativa de que o pacote abranja áreas cruciais como comércio, inovação, defesa, energia e transição tecnológica.

Lee Jae Myung destacou o crescimento constante do comércio bilateral, que superou a marca impressionante de US$ 10 bilhões nos últimos cinco anos, além da expansão em setores como biofarmacêutica, indústria e cultura. “Com base nessa sólida relação de cooperação, eu e o presidente Lula decidimos elevar as relações bilaterais a uma parceria estratégica”, afirmou o presidente sul-coreano em entrevista coletiva.

Retomada das negociações com o Mercosul

Um dos pontos mais destacados do encontro foi a discussão sobre a retomada das negociações de um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), que estavam suspensas desde 2021. Lee enfatizou a urgência dessa tarefa, afirmando que “o Brasil é um membro-chave do Mercosul” e que ambos os líderes concordaram em buscar avanços com base na confiança mútua.

As negociações entre Coreia do Sul e Mercosul começaram em maio de 2018 e avançaram em sete rodadas formais até a interrupção em 2021. A retomada representa um passo crucial para a integração econômica regional e o fortalecimento dos laços comerciais.

Assinatura de memorandos e cooperação setorial

Além do acordo regional, os dois governos decidiram estabelecer um marco para cooperação setorial por meio da assinatura de dez memorandos de entendimento e instrumentos correlatos. Entre os acordos mais significativos estão:

  • Um acordo voltado a pequenas e médias empresas, que deve ampliar comércio e investimentos além dos grandes conglomerados.
  • Um memorando de cooperação regulatória na área da saúde, destinado a facilitar a expansão de produtos de beleza sul-coreanos no mercado brasileiro.
  • Ampliação da cooperação em setores estratégicos para o futuro, como espaço, defesa e aviação.

Potencial a ser explorado e novas oportunidades

Lula ressaltou que ainda há um enorme potencial a ser explorado na relação bilateral. Segundo o presidente brasileiro, a transição energética global abre novas oportunidades de complementaridade entre os setores produtivos, enquanto as cadeias de suprimento de minerais críticos podem gerar produtos de maior valor agregado.

“Nossa parceria criará novas oportunidades em uma ampla gama de setores, da indústria da beleza ao conteúdo audiovisual”, afirmou Lula, mencionando também espaço para cooperação em tecnologias avançadas, semicondutores e inteligência artificial.

Contexto histórico e laços culturais

Brasil e Coreia do Sul mantêm relações diplomáticas desde 1959, com um marco importante em 2004, quando os dois países estabeleceram uma parceria abrangente durante visita do então presidente sul-coreano Roh Moo-hyun ao Brasil. Lula lembrou que o Brasil abriga a maior comunidade coreana da América Latina, com cerca de 50 mil pessoas, fortalecendo os laços culturais entre as nações.

A última visita de Lula a Seul ocorreu durante a cúpula do G20, em novembro de 2010. Antes desta viagem, apenas dois presidentes brasileiros haviam realizado visitas de Estado à Coreia do Sul: Fernando Henrique Cardoso, em janeiro de 2001, e o próprio Lula, em maio de 2005.

Encerramento simbólico e perspectivas futuras

Os dois presidentes cumpriram agenda conjunta ao longo do dia, marcada por compromissos oficiais. O encontro foi encerrado com um jantar simbólico que incluiu “chimaek” — frango frito coreano preparado com carne de frango brasileira — acompanhado de pratos brasileiros à base de frango e chope coreano, em um brinde à aproximação entre os dois países.

Lula expressou ainda a expectativa de convidar Lee Jae Myung ao Brasil em breve, em retribuição à recepção em Seul, sinalizando a continuidade e o aprofundamento dessa parceria estratégica que promete transformar as relações bilaterais nos próximos anos.