Primeiro-ministro belga alerta: Europa deve dizer 'não' a Trump ou virar escrava
Bélgica alerta: Europa deve dizer 'não' a Trump ou virar escrava

Líder belga faz alerta contundente sobre futuro da Europa diante de Trump

Em uma declaração rara e incisiva de um líder europeu, o primeiro-ministro da Bélgica, Bart de Wever, afirmou nesta terça-feira (20) que o continente precisa dizer não à ofensiva de Donald Trump ou enfrentar um futuro de submissão em relação aos Estados Unidos. As palavras foram proferidas durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, e refletem uma crescente insatisfação no bloco.

Europa foi leniente e agora precisa de amor próprio

"Até aqui, tentamos apaziguar o novo presidente na Casa Branca. Fomos muito lenientes, inclusive com as tarifas. Fomos lenientes esperando ter seu apoio na guerra da Ucrânia", disse De Wever em seu discurso. Ele argumentou que muitas linhas vermelhas foram cruzadas, exigindo uma postura mais firme.

O primeiro-ministro belga usou uma metáfora forte para ilustrar a situação: "Ser um instrumento feliz é uma coisa, ser um escravo miserável é outra. Se você ceder agora, vai perder sua dignidade". De Wever vocalizou explicitamente a insatisfação que tem sido sentida de forma mais discreta por outros líderes europeus.

Chamado à ação: "Recue ou iremos até o fim"

De Wever foi direto ao ponto: "Como Europa, precisamos dizer a Trump: não mais. Recue ou iremos até o fim". Esta declaração faz referência à ameaça europeia de retaliar a imposição de tarifas de 10% a países que apoiam a Dinamarca. A medida é uma resposta à intenção declarada do presidente americano de tomar a Groenlândia, território autônomo do reino dinamarquês.

A crise se intensificou nesta terça-feira, com Trump atacando Reino Unido e França pelo apoio a Copenhague. Questionado se considera os Estados Unidos aliados, De Wever respondeu de forma contundente: "Infelizmente, não. Gostaria de confirmar que são, mas para isso precisam se comportar como aliados".

Dependência tecnológica e necessidade de rearmamento

O líder belga alertou sobre os perigos da dependência europeia de tecnologias americanas. "Nós fomos um pouco ingênuos. É hora de acordar", disse ele, ao argumentar que a Europa não controla essas plataformas tecnológicas.

De Wever enfatizou a urgência de mudanças: "Precisamos de plataformas tecnológicas próprias. Precisamos nos rearmar. Caso contrário, Trump pode nos tornar escravos, porque seremos realmente escravos e teremos de aceitar tudo o que ele fizer". Ele descreveu esta necessidade como uma mudança estrutural que vai além da presidência de Trump.

Mudança permanente e nova face dos EUA

O primeiro-ministro belga destacou que a transformação nas relações transatlânticas não é passageira. "Nos acostumamos com presidentes cordiais como Barack Obama e não percebemos que a mudança nos EUA não está ligada a uma única Presidência", afirmou.

De Wever explicou: "A face dos EUA se voltou para o Pacífico. Suas costas estão para o Atlântico, e isso não vai mudar depois de Trump". Esta observação refere-se à prioridade dada desde o governo Obama à competição com a China no Indo-Pacífico, sinalizando uma reorientação estratégica duradoura.

Comissão Europeia defende construção de nova Europa independente

Também nesta terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu que o bloco aproveite o momento de crise. Em discurso em Davos, ela afirmou: "Só poderemos capitalizar essa oportunidade se reconhecermos que essa mudança é permanente. A nostalgia faz parte da história humana, mas não trará de volta a velha ordem".

Von der Leyen acrescentou: "Se a mudança é permanente, a Europa precisa mudar permanentemente também. É hora de aproveitar a oportunidade e construir uma nova Europa independente". Suas palavras ecoam o chamado de De Wever por uma postura mais autônoma e resiliente.

Macron critica EUA e defende Europa mais forte

Em Davos, o presidente francês, Emmanuel Macron, também fez críticas indiretas a Trump. Ele rejeitou ameaças tarifárias e defendeu uma Europa mais forte e protecionista. Macron afirmou que aliados devem priorizar o multilateralismo e o respeito, em meio às tensões sobre Groenlândia, Gaza e comércio internacional.

Macron deixou claro que a Europa prefere o respeito a lidar com valentões, reforçando a mensagem de que o bloco não deve ceder a pressões unilaterais. Estas declarações coletivas em Davos indicam um consenso crescente entre líderes europeus sobre a necessidade de uma postura mais assertiva frente aos Estados Unidos.