Bill Clinton ignora intimação sobre caso Epstein e pode ser acusado de desacato
Bill Clinton não comparece a audiência sobre caso Epstein

O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, não compareceu a uma audiência marcada para esta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, no Capitólio, sobre o caso do financista Jeffrey Epstein. A ausência pode levar a acusações de desacato ao Congresso americano.

Intimação e ausência dos Clinton

Bill Clinton havia sido formalmente intimado pelo Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, juntamente com sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. A sessão para o depoimento de Hillary estava prevista apenas para quarta-feira, 14, mas o casal já adiantou, por meio de uma carta conjunta, que ela também não se apresentará.

Na carta enviada ao presidente do comitê, o republicano James Comer, os Clinton classificaram a intimação como "política partidária". Eles argumentaram que, das oito pessoas intimadas, sete foram dispensadas sem falar, e que o comitê entrevistou apenas duas pessoas desde o início da investigação.

O foco da investigação do Congresso

O comitê investiga a natureza da relação entre Bill Clinton e Jeffrey Epstein, assim como com a cúmplice deste, Ghislaine Maxwell. Em sua carta de convocação, James Comer afirmou que Clinton era "supostamente próximo" de Maxwell, que atualmente cumpre pena de 20 anos de prisão.

"Dados seus relacionamentos anteriores com o Sr. Epstein e a Sra. Maxwell, o Comitê acredita que você tem informações sobre as atividades deles que são relevantes para a investigação", escreveu o congressista.

Fotos do ex-presidente com Epstein, divulgadas pelo próprio comitê, alimentam as questões. Um porta-voz de Clinton já afirmou anteriormente que o democrata cortou relações com Epstein em 2005 e não tinha conhecimento dos crimes de abuso sexual.

Consequências legais e contexto político

A recusa em comparecer pode resultar em um processo por desacato ao Congresso, que pode culminar em acusações criminais. A justificativa dos Clinton foi carregada de tom político. "Cada pessoa precisa decidir quando já viu ou teve o suficiente e está pronta para lutar por este país, seus princípios e seu povo, não importando as consequências. Para nós, esse momento chegou", declararam.

O caso Epstein continua a gerar ondas políticas nos EUA. O ex-presidente Donald Trump, que também teve ligações com Epstein, prometeu em campanha liberar todos os documentos do caso se retornar à Casa Branca. A liberação parcial de arquivos em janeiro, contudo, frustrou expectativas por não trazer informações novas, alimentando teorias da conspiração.

Recentemente, democratas divulgaram uma suposta carta de aniversário de Trump para Epstein, datada de 2003, com um desenho de uma mulher nua e mensagem insinuante. A Casa Branca negou a autenticidade da assinatura, mas reportagens do The New York Times mostram que a assinatura do republicano mudou ao longo dos anos, havendo similaridades com a do bilhete.