Bangladesh vai às urnas em eleição histórica após revolta da Geração Z
O povo de Bangladesh compareceu às urnas nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, para escolher um novo Parlamento em um pleito que marca o primeiro processo eleitoral desde as revoltas da Geração Z em 2024, as quais resultaram na deposição da primeira-ministra Sheikh Hasina, que governava o país há 15 anos. Este momento é visto como um ponto de virada crucial para a democracia do país, com implicações profundas para o futuro das próximas gerações.
Contexto político e mobilização eleitoral
O processo eleitoral ocorre sob a liderança interina de Muhammad Yunus, vencedor do Nobel da Paz em 2006, que assumiu o poder após a queda de Hasina e deve renunciar após o pleito. Em um comunicado à nação, Yunus destacou que "esta eleição determinará a direção futura do país, o caráter de sua democracia, sua durabilidade e o destino das próximas gerações". Para garantir a tranquilidade das eleições, mais de 300 mil agentes de segurança foram mobilizados em todo o território, com expectativa de participação de aproximadamente 75% da população.
Mais de 120 milhões de pessoas estão habilitadas a votar, incluindo um referendo para mudanças estruturais na organização do Estado, conhecido como Carta de Julho, que propõe maior participação política das mulheres e a criação de uma legislatura bicameral. Até às 12h no horário local, o índice de participação atingiu 32,88% em três quartos dos mais de 42 mil centros de votação, com a apuração já iniciada e resultados previstos para a manhã de sexta-feira, 13.
Papel da Geração Z e preocupações internacionais
Os jovens, especialmente a Geração Z (pessoas entre 18 e 37 anos), que foram protagonistas das revoltas que derrubaram o governo de Hasina, representam 44% do eleitorado e são considerados essenciais para definir o resultado. Muitos estão votando pela primeira vez em uma eleição direta, com grandes expectativas por mudanças profundas em um país marcado por corrupção e economia estagnada. Shithi Goswami, uma estudante de 21 anos, expressou à AFP: "Esse é o meu primeiro voto e espero que, depois de tudo o que vivemos nos últimos anos, seja o momento de algo positivo".
No entanto, especialistas das Nações Unidas têm expressado preocupação com o desenvolvimento do processo eleitoral, registrando uma "crescente intolerância, ameaças e ataques", além de um "tsunami de desinformação" direcionado aos jovens eleitores. Esses fatores aumentam a tensão em torno da lisura do pleito.
Cenário eleitoral e principais candidatos
Embora mais de 50 partidos tenham lançado candidaturas, as pesquisas indicam que dois se destacam na corrida pelo cargo de primeiro-ministro:
- Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP): Maior sigla do país, que promoveu diversos boicotes eleitorais durante os 15 anos de Hasina. Seu líder, Tarique Rhaman, de 60 anos, declarou à imprensa: "Acredito que vencerei a eleição", baseando-se em pesquisas favoráveis que apontam para uma vitória da sigla nacionalista.
- Jamaat-e-Islami: Maior partido muçulmano do país, com suporte do novato Partido Nacional Cidadão (NCP), fundado por líderes dos protestos de 2024. Seu principal líder, Shafiqur Rhaman, de 67 anos e ex-preso político, espera se tornar o primeiro governante islâmico da história de Bangladesh, uma nação com 90% de população muçulmana. Ele alertou sobre possíveis fraudes e afirmou que seu partido fará "tudo o que for necessário" para garantir a lisura das eleições.
Este pleito não apenas decide o futuro político de Bangladesh, mas também testa a resiliência de sua democracia após um período de turbulência e mudança geracional.