Especialista avalia primeiro ano do segundo mandato de Trump nos Estados Unidos
Nesta terça-feira, 20 de janeiro de 2026, o presidente norte-americano Donald Trump realizou um discurso marcando o primeiro ano de seu segundo mandato na Casa Branca. O evento gerou análises sobre seu desempenho e estratégias políticas para os próximos meses.
Cumprimento de promessas e foco na imigração
Para analisar o período, a professora de relações internacionais da ESPM, Natalia Fingermann, destacou que as ações de Trump ao longo de 2025 e início de 2026 mostraram coerência com suas promessas de campanha. "Realmente me parece que não é nenhuma surpresa", afirmou a especialista, referindo-se ao Project 2025, documento que orientou sua campanha.
"O que a gente tem visto é que ele conseguiu cumprir em grande parte aquilo que ele prometia", explicou Natalia. Ela apontou o combate à imigração como o caso de maior sucesso em termos domésticos, embora ressaltasse que este êxito é percebido da perspectiva de Trump, não necessariamente sob a ótica dos direitos humanos.
Uso da força militar e tensões internacionais
A professora observou que, neste retorno à presidência, Trump demonstrou claramente sua disposição para utilizar a força militar como instrumento político. "Não tem medo de utilizar a força militar para atingir seus objetivos", afirmou, criando cenários de tensão com outras nações.
Nesse contexto, Natalia classificou como "real" o risco de uma invasão na Groenlândia, novo alvo de interesse do presidente norte-americano. Esta postura coloca os Estados Unidos em rota de colisão com a Europa, ampliando as divergências geopolíticas existentes.
Perda de aliados e mudança na ordem internacional
O modus operandi de Trump, segundo a análise da especialista, resultou em significativa perda de aliados internacionais. Natalia argumentou que os Estados Unidos enfrentam uma transformação profunda em seu posicionamento global.
"É uma nova ordem internacional na qual, do meu ponto de vista, o Estados Unidos perde muito", explicou. "Ele perdeu o seu soft power e perdeu muitos dos seus aliados que eram importantes", complementou, destacando que essas perdas ocorrem não apenas no campo político, mas também em aspectos econômicos como mercado consumidor, desenvolvimento de parcerias e capacidade de ditar normas no sistema internacional.
Preparação para as eleições de meio de mandato
A política de Donald Trump será testada internamente em novembro de 2026, quando os Estados Unidos realizam as midterms, eleições de meio de mandato. Natalia Fingermann observou que o discurso desta terça-feira já revela a preocupação do presidente com esse pleito.
"Esse discurso do Donald Trump foi um discurso já político, já para essas eleições de novembro", analisou a professora. Ela destacou que o presidente atacou diretamente os democratas em diversas oportunidades durante sua fala, incluindo um ataque específico ao governador da Califórnia.
"A gente já percebe uma preocupação de Donald Trump de estabelecer qual vai ser a pauta dessas eleições", ressaltou Natalia, indicando que o mandatário busca definir os temas centrais do debate eleitoral com antecedência.
Cenário político e possíveis limitações
Segundo a análise da especialista em relações internacionais, os democratas apresentam boas chances de vitória na Câmara dos Representantes durante as midterms. Este resultado poderia gerar "algum freio" nas políticas implementadas pelo atual presidente, criando um cenário de maior equilíbrio de poder no Congresso norte-americano.
A avaliação de Natalia Fingermann oferece um panorama abrangente sobre os primeiros doze meses do segundo mandato de Donald Trump, destacando tanto os sucessos na implementação de sua agenda quanto os desafios criados por sua abordagem política, tanto no cenário doméstico quanto nas relações internacionais.