Vereador do Rio preso por suspeita de ligação com Comando Vermelho e transações suspeitas
Vereador preso por suspeita de ligação com Comando Vermelho no Rio

Vereador do Rio é preso sob suspeita de vínculos com o Comando Vermelho

A Polícia Civil do Rio de Janeiro anunciou, na tarde desta sexta-feira (13), a prisão do vereador Salvino Oliveira, filiado ao PSD, por suspeitas de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho. A corporação divulgou que as investigações revelaram diálogos entre traficantes citando o nome do parlamentar, além de transações financeiras consideradas suspeitas, totalizando mais de R$ 100 mil, com 11 depósitos realizados em dinheiro vivo.

Prisão mantida após audiência de custódia

Na quinta-feira (12), uma audiência de custódia confirmou a manutenção da prisão do vereador. O juiz Otávio Hueb Festa considerou que o mandado de prisão temporária estava dentro da validade legal e não identificou irregularidades na detenção. Salvino Oliveira foi preso na quarta-feira (11) durante uma operação da Polícia Civil, que investiga sua suposta conexão com o crime organizado.

O delegado Vinicius Miranda, titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro, explicou que a prisão foi solicitada após a descoberta de uma "série de indícios" ligando o vereador ao Comando Vermelho. "Esses indícios foram apresentados na Justiça, que entendeu que havia prisão temporária para que se buscasse até mais elementos, mais provas, para que se entendesse melhor qual seria a participação exata dele dentro da facção", afirmou Miranda.

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Acusações específicas e provas apresentadas

De acordo com o pedido de prisão, a Polícia Civil alega que Salvino Oliveira tentou interferir politicamente em áreas dominadas pelo tráfico, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais. As investigações indicam que o vereador teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, para obter autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, região controlada pelo Comando Vermelho.

Entre as evidências apresentadas está uma conversa interceptada no WhatsApp, onde um indivíduo identificado como Dom pergunta a Doca se é verdade que o traficante autorizou Salvino a "trabalhar" na área. A polícia afirma que Dom atuava como elo entre o núcleo operacional da facção e agentes externos, incluindo policiais. Dom foi executado em maio de 2025, e há suspeitas de que o crime tenha sido uma "queima de arquivo" ordenada pela própria organização criminosa.

Contrapartidas e benefícios investigados

Segundo as investigações, em troca da permissão para atuar na Gardênia Azul, o vereador teria articulado benefícios para o grupo criminoso, apresentados publicamente como ações em prol dos moradores. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, declarou que Salvino se comunicava com o comando da facção por meio de Dom, que era conhecido como "síndico" da associação local.

Curi afirmou que o parlamentar teria atuado para liberar parte dos quiosques construídos na comunidade, com cerca de 100 unidades. "Metade desses quiosques, 50 desses quiosques, teve um processo completamente publicizado", disse o secretário, ressaltando que a definição dos beneficiários teria sido feita diretamente por integrantes da facção, sem transparência no processo público.

Reações e defesas apresentadas

O governador Cláudio Castro classificou Salvino Oliveira como o "braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio". Em contrapartida, o prefeito Eduardo Paes, em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que, caso as suspeitas sejam confirmadas, defende punição rigorosa. "Vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a Justiça seja feita. Aqui não se passa mão em cabeça de quem faz coisa errada", declarou Paes.

Salvino Oliveira negou veementemente todas as acusações, afirmando não ter qualquer ligação com o traficante Doca, nem envolvimento com a instalação dos quiosques na Gardênia Azul. "Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha", disse o vereador. Sua defesa entrou com um pedido de habeas corpus, que ainda aguarda apreciação pela Justiça.

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Operação Contenção Red Legacy e outras prisões

A prisão do vereador ocorreu no contexto da Operação Contenção Red Legacy, deflagrada na quarta-feira (11) contra a estrutura nacional do Comando Vermelho. Agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro cumpriram 13 mandados de prisão. Até a última atualização, sete pessoas haviam sido presas, incluindo seis policiais militares e o vereador Salvino Oliveira, enquanto quatro alvos já estavam encarcerados.

Entre os procurados estão Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Marcinho VP e mãe de Oruam, considerada foragida, e Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP. A defesa de Márcia Nepomuceno afirmou que as acusações são infundadas e sem comprovação, destacando que ela já foi absolvida pela Justiça em outra operação.

A Câmara de Vereadores do Rio emitiu uma nota declarando que "acompanha o desenrolar dos fatos e se coloca à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários", reafirmando confiança nas instituições e no devido processo legal.