Os três desafios que podem travar a estratégia eleitoral de Eduardo Bolsonaro ao Senado
Três desafios para Eduardo Bolsonaro no Senado

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciou que disputará uma vaga no Senado por São Paulo como primeiro suplente na chapa do deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa. A estratégia marca seu retorno ao cenário eleitoral após ter o mandato cassado por excesso de faltas e um período de autoexílio nos Estados Unidos. No entanto, o filho de Jair Bolsonaro enfrenta pelo menos três grandes obstáculos antes mesmo de consolidar sua candidatura.

Resistência entre aliados e ex-amigos

O primeiro problema reside dentro da própria direita. Muitos integrantes do PL não ficaram satisfeitos com a escolha de André do Prado, considerado um nome mais alinhado a Valdemar da Costa Neto e ao Centrão do que ao bolsonarismo ideológico. Entre os preteridos estão o vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo (PL), apadrinhado por Bolsonaro, o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) e o deputado Mario Frias (PL-SP), amigo pessoal de Eduardo. Além disso, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tentava emplacar a deputada federal Rosana Valle (PL), enquanto o deputado Marco Feliciano (PL-SP) também demonstrou insatisfação. Em um vídeo, Eduardo justificou a escolha como estratégica, destacando a capacidade de articulação de Prado e a necessidade de fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro em São Paulo. Aliados como Mario Frias afirmam que a situação está apaziguada: “Acima de tudo, Eduardo é o cara dessa vaga. A direita está se definindo, não se dividindo”. Porém, fora do PL, o deputado Ricardo Salles (Novo) critica abertamente a aliança com o Centrão e promete não desistir da disputa.

Desempenho fraco nas pesquisas

O segundo obstáculo é a necessidade de Eduardo provar que pode alavancar a candidatura de André do Prado. Segundo pesquisa Genial/Quaest, os candidatos da direita ao Senado em São Paulo aparecem com baixos índices de intenção de voto, todos abaixo de dois dígitos, enquanto quase metade do eleitorado ainda não definiu seu voto. Os potenciais candidatos apoiados por Lula — Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França — lideram as intenções. Antes de se exilar, Eduardo pontuava cerca de 30%, mas sua imagem pode ter sido prejudicada pela atuação na imposição de sanções dos EUA ao Brasil e ao STF. Valdemar Costa Neto, no entanto, acredita no potencial de transferência de votos: “Eduardo tem completo potencial para transferir votos, entre 30% e 35% é voto certo para a candidatura dele”. Ele também destaca a base de Prado entre deputados estaduais e prefeitos como um trunfo.

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Enroscos judiciais e elegibilidade

O terceiro foco de problemas está no Judiciário. A elegibilidade de Eduardo é questionável: a lei determina inelegibilidade por oito anos em caso de cassação por quebra de decoro, mas ele perdeu o mandato por faltas, sem julgamento dos colegas. O advogado Fernando Neisser, da FGV/SP, argumenta que as faltas podem ser interpretadas como tentativa de se evadir da Justiça. O caso, sem precedentes, deve chegar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a partir de 12 de maio será presidido por Nunes Marques e terá André Mendonça como vice, ambos indicados por Jair Bolsonaro. Além disso, Eduardo responde a processos no STF por coação no curso do processo, além de inquéritos das fake news e milícias digitais. O PL já pediu informações ao TSE sobre a viabilidade da candidatura. A advogada Juliana Bertholdi, da PUCPR, avalia que a prisão preventiva é improvável, pois o risco precisa ser contemporâneo. Apesar dos desafios, Eduardo segue determinado a retornar ao jogo político.

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