Witzel anuncia pré-candidatura ao governo do Rio sem partido após impeachment
Witzel anuncia pré-candidatura ao governo do Rio sem partido

Witzel anuncia pré-candidatura ao governo do Rio sem partido após impeachment por corrupção

O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, anunciou nesta segunda-feira, 10 de fevereiro de 2026, sua pré-candidatura ao governo do estado. Atualmente sem partido, Witzel busca retomar a vida política após sofrer impeachment por corrupção em 2021, quando já estava afastado do cargo.

Contexto político e histórico de afastamento

Eleito em 2018 durante a ascensão bolsonarista, Witzel foi afastado do governo fluminense após acusações de envolvimento em um esquema de corrupção na área da Saúde. A Procuradoria-Geral da República o apontou como líder de uma organização criminosa que desviou recursos destinados ao combate à pandemia de Covid-19.

Segundo as investigações, o grupo teria arrecadado cerca de R$ 55 milhões de forma irregular através de contratos com hospitais de campanha, respiradores e medicamentos. Witzel sempre negou qualquer irregularidade, mas foi declarado inelegível por cinco anos, período que se encerra justamente em 2026.

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Declarações e justificativas do ex-governador

Em vídeo publicado no Instagram, Witzel afirmou: "Considero que eu paguei politicamente por tudo o que aconteceu. Politicamente, sem dúvida, houve um preço político muito alto, pago antes do encerramento de todo esse processo".

O ex-governador destacou ainda: "Ainda há questões a serem definitivamente esclarecidas. Eu confio que o tempo e as instâncias competentes cumprirão esse papel, mas também aprendi que, na política, percepções muitas vezes se impõem antes dos fatos".

Cenário político atual e expectativas

Com a saída de Witzel, assumiu o então vice-governador Claudio Castro, que hoje está no PL e foi eleito governador em 2022. Espera-se que Witzel anuncie sua filiação partidária até abril de 2026, mas atualmente o cenário eleitoral parece favorável ao prefeito Eduardo Paes, que já concorreu ao Palácio Guanabara em duas oportunidades.

Witzel argumenta que viveu o maior processo de linchamento público da história do estado e foi afastado antes de qualquer condenação definitiva. Ele afirma ter mantido sua defesa dentro da legalidade e acredita na Justiça para esclarecer os fatos.

Mudanças na abordagem política

O ex-governador comparou sua atuação atual com a de 2019: "Em 2019, eu cheguei com a energia de quem queria mudar tudo rapidamente. Hoje, trago a serenidade de quem sabe que mudanças duradouras exigem diálogo institucional, planejamento e blindagem técnica das decisões".

Witzel enfatizou que agora prioriza menos improviso e mais método, além de menos discurso e mais governança. Ele se diz mais experiente e com compreensão mais profunda do funcionamento do poder no Rio de Janeiro.

Acusações e defesa

Durante o processo de impeachment, as acusações afirmavam existir uma caixinha de propina paga por Organizações Sociais na área da Saúde, com Witzel como um dos principais beneficiários. Em entrevista exclusiva à VEJA em 2021, o ex-governador contra-atacou, acusando o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano do PT, de ser o real "chefe da quadrilha".

Ao final de seu pronunciamento, Witzel foi enfático: "Eu acredito na Justiça, acredito no potencial do estado do Rio de Janeiro e acredito nas pessoas. E é por isso que eu não vou desistir".

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