Edgar Moura Brasil, viúvo do renomado autor Gilberto Braga, utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira, 30 de abril, para manifestar sua indignação com o valor recebido a título de direitos autorais referentes à obra do marido. O designer de interiores relatou que foi contatado pela TV Globo para emitir uma nota fiscal relativa à exibição internacional da novela Celebridade, transmitida nos Estados Unidos.
O contato inicial e a decepção
Segundo Edgar, o primeiro contato pareceu respeitoso, mas a percepção mudou drasticamente ao conferir o valor depositado. Ele detalhou: “Outro dia recebi um aviso da TV Globo que deveria mandar uma nota fiscal para o recebimento de direitos autorais de meu falecido marido, Gilberto Braga. O aviso esclarecia que era um pagamento referente à exibição nos Estados Unidos de Celebridade, um dos maiores sucessos que ele escreveu”. Apesar de reconhecer a iniciativa inicial, demonstrou frustração: “Achei respeitoso o gesto da Globo até que vi a quantia que caberia ao grande autor que foi Gilberto”.
O valor revelado
Em seguida, Edgar revelou o montante: “R$ 89,42. Isso mesmo, pela exibição de 221 capítulos de uma novela de enorme sucesso o autor recebe oitenta e nove reais e quarenta e dois centavos?”. O viúvo afirmou que o sentimento de respeito deu lugar à revolta: “Minha impressão inicial de respeito e consideração caiu por terra e fui invadido por um grande sentimento de injustiça, ingratidão e pilhagem. Como uma emissora que os textos de Gilberto ajudaram a chegar no patamar de influência e relevância no Brasil desvaloriza tanto a sua obra?”.
Relatos de outros autores
Edgar ainda disse ter conversado com outros autores, que relataram situações semelhantes: “Todos me afirmaram que recebem ínfimas quantias como residuais de suas obras e que esses valores são determinados pela TV Globo, sem o conhecimento deles”. De acordo com ele, a justificativa estaria nos contratos antigos, firmados antes da expansão do streaming e da TV por assinatura: “Portanto o critério é totalmente unilateral”. Por fim, concluiu: “Acho um absurdo porque, certamente, a Globo não vende seus produtos pelo mundo a preço de banana”.



