O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 1º de maio, que não está satisfeito com a mais recente proposta do Irã para retomar as negociações de paz no Oriente Médio. As conversas permanecem estagnadas, apesar de um cessar-fogo frágil que vigora há mais de três semanas.
Declarações de Trump
“Neste momento, não estou satisfeito com o que eles estão oferecendo. Estamos em negociações, mas não estamos chegando a um acordo”, declarou Trump a jornalistas. Ele acrescentou que suas opções permanecem as mesmas: “Vamos rejeitá-los completamente ou fechar um acordo”.
Nova proposta iraniana
Nesta manhã, a agência de notícias iraniana IRNA informou que a República Islâmica entregou, na noite de quinta-feira, por meio do mediador Paquistão, o texto mais recente de seu plano para uma nova rodada de negociações. Isso ocorreu após o primeiro diálogo em Islamabad, em 11 de abril, ter terminado em fracasso. Teerã não forneceu detalhes sobre o conteúdo da oferta.
Anteriormente, a Casa Branca havia se recusado a comentar a nova proposta iraniana. “As conversas continuam. Não fornecemos detalhes sobre conversas privadas”, afirmou Anna Kelly, porta-voz do governo americano, em declaração à AFP. Ela reiterou que Trump “deixou claro que o Irã nunca deve se dotar de armas nucleares e as negociações continuam para garantir a segurança nacional a curto e longo prazo dos Estados Unidos”.
Estratégia iraniana
Segundo especialistas, o movimento reflete uma estratégia calculada de Teerã para romper o impasse diplomático. Na última oferta, os aiatolás separaram as preocupações urgentes com segurança regional das questões de longo prazo: pediram um acordo para a reabertura completa do Estreito de Ormuz, incluindo o levantamento do bloqueio naval dos EUA contra portos e navios iranianos, deixando para depois as tratativas sobre o programa nuclear.
A ideia foi descartada por Trump na quarta-feira, 29 de abril, justamente por deixar de fora o ponto central do confronto: a paralisação do enriquecimento de urânio no Irã e um compromisso de que o país jamais terá uma arma nuclear. Em entrevista ao Axios, Trump deixou claro que a Marinha dos EUA manterá o bloqueio naval aos portos iranianos, em vigor há mais de duas semanas, se não houver um acordo que atenda às exigências de Washington.
Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo consumido no planeta, foi fechado pelo Irã em retaliação à ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos, iniciada em 28 de fevereiro. A Marinha americana impôs seu próprio bloqueio naval na região em 13 de abril, para enfraquecer o regime dos aiatolás por meio do cerco à exportação de petróleo, principal pilar da economia iraniana.
Novas sanções
Nesta sexta-feira, os Estados Unidos também anunciaram novas sanções a três casas de câmbio iranianas, visando o “fornecimento financeiro” do país. O Departamento do Tesouro advertiu que futuras sanções podem atingir o sistema de pedágio que o Irã quer implantar no Estreito de Ormuz.
Cessar-fogo e ameaças
Um cessar-fogo, que pausou as hostilidades abertas desde 7 de abril, foi estendido por Trump por tempo indeterminado, embora ele continue a fazer ameaças alarmantes ao regime iraniano. Nesta semana, ele publicou nas redes sociais uma imagem gerada por IA em que aparece armado com fuzil, usando terno e óculos estilo aviador em frente a explosões no Oriente Médio, com a legenda: “Chega de ser bonzinho”.
Durante uma reunião com empresários do setor petrolífero na quinta-feira, 30 de abril, Trump mencionou a possibilidade de prolongar o bloqueio naval por “vários meses” se necessário, segundo um funcionário da Casa Branca.
Prazo constitucional
Trump tem, teoricamente, até esta sexta-feira para solicitar ao Congresso autorização para continuar a ofensiva no Oriente Médio. Segundo a Constituição dos EUA, apenas o legislativo pode declarar guerra, mas uma lei de 1973 permite ao presidente iniciar uma intervenção limitada em emergências, desde que peça autorização para mobilizar tropas por mais de 60 dias. O governo deu a entender que ignorará essa obrigação. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, argumentou que, devido ao cessar-fogo, “o prazo de 60 dias fica suspenso”.



