Valdemar Costa Neto articula Tereza Cristina para vice de Flávio Bolsonaro
Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avança em sua pré-campanha à Presidência da República, o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, tem feito movimentos estratégicos para definir a composição da chapa. Em evento realizado na noite de segunda-feira, 23 de fevereiro, em São Paulo, o cacique do PL deixou clara sua preferência pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata a vice-presidente na disputa eleitoral de 2026.
Crítica à escolha de 2022 e elogios à senadora
Durante encontro do Grupo Esfera com empresários e com o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, Valdemar Costa Neto foi categórico ao analisar o que considera um erro na campanha de Jair Bolsonaro em 2022. O líder do PL afirmou que a escolha do general Walter Braga Netto como vice não agregou votos à chapa, defendendo que Tereza Cristina teria sido uma opção mais vantajosa, especialmente pelo apelo junto ao eleitorado feminino.
“O Braga Netto é um homem do bem, homem decente, homem correto. Mas que não dava um voto pra ele. Eu insisti pra ele: ‘Bolsonaro, estamos empatados com os homens, mas estamos atrás com as mulheres. Põe a Tereza Cristina’. O Bolsonaro, teimoso, disse: ‘Esse assunto não discuto, não quero saber. Meu vice é o Braga Netto’. E foi um erro que cometemos”, declarou Valdemar, ressaltando que a disputa deste ano será “dificílima” e que o partido não pode se dar ao luxo de perder qualquer apoio eleitoral.
Outros nomes em consideração e papel do centro
Questionado por jornalistas sobre sua preferência para a vaga de vice, Valdemar também mencionou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), como um candidato ideal devido à sua força no segundo maior colégio eleitoral do país. “O Zema seria um candidato ideal por causa dos votos de Minas Gerais. Porque o Zema pode não estar bem avaliado no Brasil, mas em Minas ele está bem avaliado. Isso não tem preço para nós, porque Minas é Minas”, ponderou.
No entanto, o presidente do PL não poupou elogios à senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro. “E a Tereza, apesar de ter todo aquele tamanho dela, ela tem um carisma que ninguém tem, ela é o máximo”, afirmou, destacando que ainda não houve conversas formais com nenhum dos dois nomes e que a decisão final caberá a Flávio e Jair Bolsonaro.
Busca por apoio do centro e cenário político
As declarações de Valdemar ocorrem em um momento em que a direita brasileira busca ampliar sua base de apoio, mirando especialmente o eleitorado de centro. A federação União Brasil-PP, principal alvo dessas investidas, ainda não definiu se apoiará oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro, se liberará seus integrantes ou se lançará um candidato próprio.
O presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, correligionário de Tereza Cristina, tem criado embaraços para a federação ao acenar para o governo Lula em busca de apoio à sua reeleição no Piauí. Essa movimentação reflete a complexidade das alianças políticas em um ano eleitoral decisivo.
Posicionamento do União Brasil e afinidades programáticas
No mesmo evento, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, deixou claro que o partido mantém “afinidade” programática com a direita e que tem mantido conversas frequentes com Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto. “O União está tentando se cercar das melhores pessoas, dos melhores quadros, pra gente poder contribuir com o Brasil. Eu venho conversando muito com o Flávio, com o Valdemar, e a gente tem uma afinidade muito grande”, declarou Rueda.
O líder do União Brasil também destacou que a sigla terá palanques em treze estados nas eleições deste ano, com apenas dois deles ligados à esquerda. “Depois do PL, o União é o partido que mais vai lançar candidato ao Senado. Temos uma contribuição muito grande a fazer”, completou, sinalizando o peso da legenda no cenário político nacional.
Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, Valdemar Costa Neto reforçou seu apoio a Tereza Cristina em suas redes sociais, afirmando não ter dúvidas de que a senadora pode “ajudar a fazer um bom governo” caso seja pré-candidata a vice-presidente. A articulação política segue intensa, com a direita buscando consolidar uma chapa competitiva para as eleições presidenciais de 2026.



