Valdemar Costa Neto ataca Kassab e questiona capacidade do PSD em lançar candidato presidencial
Em um jantar realizado na noite desta segunda-feira (23), na região da Faria Lima, em São Paulo, o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, dirigiu críticas contundentes ao colega Gilberto Kassab, líder do Partido Social Democrático (PSD). O evento, que reuniu empresários locais, serviu de palco para Valdemar expressar suas dúvidas sobre a capacidade do PSD em lançar um candidato viável à Presidência da República nas próximas eleições.
Dúvidas sobre os pré-candidatos do PSD e cenário eleitoral
Valdemar Costa Neto foi enfático ao afirmar que não vê possibilidade de o segundo turno presidencial ser disputado por nomes que não sejam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e o senador Flávio Bolsonaro, do PL. "Não há possibilidade de ter dois candidatos no segundo turno que não sejam Lula e Flávio Bolsonaro", declarou o presidente do PL, que estava acompanhado de Antônio Rueda, presidente do União Brasil.
Ele ainda sugeriu que uma união entre os partidos no primeiro turno seria ideal para resolver a disputa de forma antecipada. Ao comentar sobre os pré-candidatos do PSD, Valdemar destacou que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, não possui um eleitorado forte fora de seu estado, e não mencionou o terceiro nome da sigla, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. "Acho que vão ter muita, muita dificuldade de lançar candidato pelo PSD", reforçou.
Críticas à estratégia de Kassab em São Paulo
Durante o jantar, Valdemar também criticou uma decisão tomada por Kassab em 2022, quando este optou por não se lançar como vice na chapa de Tarcísio de Freitas, do Republicanos, para o Governo de São Paulo. "Olha o erro que ele cometeu, pois não colocou o nome dele como vice porque queria apoiar o Tarcísio para trabalhar contra Rodrigo Garcia. E aí ele não pôs o nome dele de vice e, hoje, ele dá a vida para ser vice dele", explicou Valdemar, referindo-se à atual relação entre Kassab e Tarcísio.
Após o evento, em entrevista a jornalistas, Valdemar avaliou que é possível que Kassab apoie Lula em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, citando que o PSD detém três ministérios no governo federal. A relação entre Kassab e Tarcísio tem se desgastado, segundo avaliações políticas em São Paulo, devido à insistência do presidente do PSD em manter o cargo de vice na chapa de reeleição do governador, enquanto articula uma candidatura presidencial e busca ampliar a presença de seu partido.
Disputa pela vice-governadoria e questões jurídicas
Valdemar defendeu que o posto de vice-governador de São Paulo seja ocupado pelo PL, argumentando que o partido possui a maior bancada na Assembleia Legislativa. "Na outra eleição, eu cedi para o Kassab, que a vice era nossa, e agora é a nossa vez, que a gente tem a maior bancada. Agora, quem decide é ele", afirmou.
O assunto ganhou relevância após a divulgação de informações sobre o bloqueio de US$ 1,6 milhão pertencentes ao vice-governador Felício Ramuth (PSD) pela Justiça de Andorra, sob suspeita de lavagem de dinheiro. Ramuth nega qualquer ilícito e afirma que o dinheiro foi declarado à Receita Federal. Valdemar lamentou a publicidade do caso, sugerindo que isso pode enfraquecer a tentativa de manter o PSD na chapa.
Comentários sobre propaganda eleitoral e pesquisa interna
Durante o evento, Valdemar também minimizou as acusações de propaganda eleitoral antecipada relacionadas ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula. "Isso é um direito deles, e o processo aí é um processo absurdo, porque só dá multa", disse, referindo-se às investidas jurídicas da oposição.
Contudo, ele revelou que o PL realizou uma pesquisa interna, não registrada, após o Carnaval, no estado de São Paulo, que indicou que o presidente Lula teria perdido votos com o desfile. Essa afirmação adiciona uma camada de análise estratégica às discussões sobre o impacto de eventos culturais no cenário político.