O cenário político de Pernambuco ganhou novos contornos nesta semana com um anúncio estratégico do partido União Brasil. Em reunião realizada na quarta-feira (18) em Brasília, que contou com a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e líderes de ambas as legendas, o partido declarou formalmente apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD) e lançou a pré-candidatura ao Senado do presidente estadual da agremiação, Miguel Coelho.
Miguel Coelho: da chapa adversária à aliança com a governadora
Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, no Sertão pernambucano, era até então um nome fortemente associado à chapa do prefeito do Recife, João Campos (PSB), principal adversário político de Raquel Lyra na disputa pelo governo estadual. A expectativa era que Campos anunciasse ainda nesta semana uma chapa composta por Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) para o Senado. No entanto, o movimento do União Brasil alterou significativamente esse planejamento.
Em comunicado oficial divulgado pelo PSD, partido que Raquel Lyra preside em Pernambuco, Miguel Coelho justificou a nova aliança como uma defesa "da nossa gente". Esta não é a primeira vez que os caminhos de Coelho e Lyra se cruzam. Em 2022, quando Miguel Coelho foi candidato a governador, ficou em quinto lugar com 18,04% dos votos válidos, não indo ao segundo turno, disputado entre Raquel Lyra e Marília Arraes. Na ocasião, ele apoiou a eleição de Lyra, embora sua participação na gestão estadual subsequente não tenha se concretizado.
Uma trajetória política de idas e vindas
A relação entre os dois políticos tem sido marcada por aproximações e distanciamentos. Após o apoio no segundo turno de 2022, Miguel Coelho rompeu com a governadora em 2024 e passou a apoiar João Campos, inclusive fazendo campanha para sua reeleição à prefeitura do Recife. Sua figura era considerada um dos trunfos mais sólidos para compor a chapa do prefeito na corrida ao Senado neste ano.
Entretanto, o cenário começou a mudar em fevereiro, quando Miguel Coelho, seu pai e um irmão se tornaram alvos de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares. Este fato pode ter influenciado as negociações e a decisão final de alinhar-se novamente com Raquel Lyra.
O contexto da federação partidária e a indefinição do PP
O anúncio ocorre em um momento particular do União Brasil, que está em processo de formação da federação partidária União Progressista, juntamente com o Progressistas (PP). A homologação desta federação está prevista para o dia 26 de março pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Embora o União Brasil tenha declarado apoio à reeleição de Raquel Lyra, o PP, seu parceiro na futura federação, ainda não definiu oficialmente seu posicionamento. O presidente estadual do PP, o deputado federal Eduardo da Fonte, é inclusive mencionado como um dos possíveis candidatos ao Senado. A indefinição do partido gerou atritos com a governadora, que, após sinais de apoio à chapa de João Campos por parte de figuras do PP, demitiu nomes indicados pela legenda para presidir órgãos do governo estadual.
Os exonerados foram: Bruno Rodrigues, da presidência do Ceasa; Paulo Nery, do Porto do Recife; e Plinio Pimentel, do Lafepe. Esta medida demonstra a tensão existente e a busca de Raquel Lyra por alinhamentos políticos mais sólidos e definidos em sua campanha pela reeleição.
O impacto no tabuleiro eleitoral pernambucano
A decisão do União Brasil de apoiar Raquel Lyra e lançar Miguel Coelho ao Senado representa uma significativa reorganização das forças políticas no estado. Retira um nome de peso da potencial chapa de João Campos e fortalece a governadora com o apoio de uma legenda que está em processo de ampliação de sua base através da federação. A movimentação deixa claro que as negociações para as eleições estão intensas e que alianças consideradas improváveis podem se concretizar, redefinindo completamente as estratégias de campanha e as expectativas para o pleito estadual.



