Simone Tebet desponta como favorita na corrida ao Senado por São Paulo
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, tornou-se uma das grandes surpresas do cenário político atual ao aparecer como favorita nas pesquisas para o Senado no Estado de São Paulo. Dados do Datafolha, divulgados nesta terça-feira (10 de março de 2026), mostram que ela disputa a liderança com nomes de peso como Geraldo Alckmin, ex-governador e vice-presidente da República, Marcio França, também ex-governador, e Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e ministro da Fazenda.
Trajetória política e ascensão eleitoral
O caso de Tebet é peculiar, pois ela passou a maior parte de seus 46 anos de vida atuando politicamente em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, a cerca de 700 quilômetros da capital paulista. Herdou a base eleitoral de seu pai, Ramez Tebet, que governou o estado e presidiu o Senado. Até a eleição presidencial de 2022, ela era praticamente desconhecida do eleitorado paulista.
Naquela disputa, entrou com apenas 1% nas pesquisas, mas saiu das urnas com 4,2% do total nacional, o que equivale a aproximadamente 4,9 milhões de votos. Desse montante, um terço, ou seja, cerca de 1,6 milhão de votos, veio de eleitores paulistas. Em Minas Gerais, segundo estado onde obteve mais apoio, conquistou meio milhão de votos.
Cenário eleitoral e disputas partidárias
Em outubro de 2026, estarão em jogo duas vagas para o Senado por São Paulo. Uma sondagem da Realtime Big Data, divulgada na segunda-feira, indica que Tebet aparece na posição preferencial tanto para o primeiro quanto para o segundo voto. Em alguns cenários, ela empata com Guilherme Derrite, deputado pelo PL e ex-secretário estadual de Segurança, e com Marina Silva, ministra do Meio Ambiente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esconde a vontade de ter Fernando Haddad na disputa pelo governo paulista, acompanhado por Simone Tebet e Marina Silva como candidatas ao Senado. No entanto, para isso, precisará convencer o PT de São Paulo a aceitar o trio e se engajar na campanha. Além disso, é necessário encontrar alternativas partidárias para as ministras, já que o MDB continua refratário à candidatura de Tebet, que está no partido há 27 anos, e Marina Silva enfrenta resistências para retornar ao PT, partido que ajudou a fundar a Rede Sustentabilidade.
Implicações políticas e expectativas
A ascensão de Simone Tebet reflete uma mudança significativa no eleitorado paulista, que tradicionalmente vota em figuras mais consolidadas no estado. Sua capacidade de atrair votos em uma região onde era desconhecida até recentemente demonstra um potencial eleitoral surpreendente, que pode reconfigurar as alianças e estratégias para as próximas eleições.
Com as pesquisas apontando para uma disputa acirrada, os próximos meses serão cruciais para definir as candidaturas e as coalizões partidárias. A votação expressiva em 2022 serviu como trampolim para Tebet, que agora busca consolidar sua presença no cenário político nacional a partir de São Paulo, um estado-chave para o equilíbrio de poder no Congresso.
