Desembargador Ricardo Couto concede primeira coletiva como governador interino do Rio
Ricardo Couto dá primeira coletiva como governador interino do Rio

Desembargador Ricardo Couto realiza primeira coletiva como governador interino do Rio de Janeiro

O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro, concedeu nesta quarta-feira (25) sua primeira entrevista coletiva à imprensa desde que assumiu o comando do estado. A coletiva ocorreu no Tribunal de Justiça do Rio, no Centro da capital fluminense, e marcou o início público de sua gestão interina.

Contexto da posse e crise política

Couto assumiu o Executivo estadual após a renúncia de Cláudio Castro (PL), publicada no Diário Oficial na segunda-feira (23). A saída do ex-governador ocorreu um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o condenou por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, tornando-o inelegível.

Com a renúncia e a ausência de vice-governador, além do afastamento do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o estado entrou em situação de dupla vacância. Isso levou à posse automática do presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, como governador em exercício.

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"Assumo o Governo do Estado com o compromisso de garantir estabilidade institucional, respeito às leis e continuidade dos serviços prestados à população", declarou Couto ao tomar posse.

Preparação para eleição indireta e disputa jurídica

A renúncia de Castro abriu caminho para uma eleição indireta na Alerj, que deverá escolher o novo governador para cumprir o mandato até o fim de 2026. Como governador em exercício, Couto tem até 48 horas após a vacância para convocar o pleito, que deve ocorrer em até 30 dias.

A expectativa é que a votação aconteça em abril, com os 70 deputados estaduais escolhendo o chamado governador-tampão. Para vencer em primeiro turno, uma chapa precisa de maioria absoluta (pelo menos 36 votos). Caso contrário, haverá segundo turno entre os dois mais votados.

Porém, a eleição ocorre em meio a incertezas jurídicas. O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu pontos da lei aprovada pela Alerj através de liminar do ministro Luiz Fux. As regras em disputa incluem:

  • Voto secreto versus voto aberto dos parlamentares
  • Prazo de 180 dias versus 24 horas para desincompatibilização dos candidatos

Nesta quarta-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu no STF a derrubada da liminar de Fux. O procurador-geral Paulo Gonet argumentou que não há inconstitucionalidade nas regras aprovadas pela Alerj e que cabe ao estado definir o modelo da eleição.

Três frentes no STF e próximos passos

As regras da eleição indireta ainda podem mudar através de três frentes em curso no Supremo:

  1. Recursos apresentados pela Alerj, pelo governo do estado e por partidos contra a decisão de Fux
  2. Possibilidade do próprio ministro Luiz Fux rever sua liminar
  3. Caso ser levado ao plenário do STF, dependendo de pautação pelo presidente Edson Fachin

Após a definição do resultado da eleição indireta, a posse do novo governador deve ocorrer em até 48 horas. Enquanto isso, Ricardo Couto segue à frente do Executivo estadual, buscando garantir estabilidade em meio à crise política que marcou a transição de poder no Rio de Janeiro.

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