O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto ocorre em um cenário ainda instável e sujeito a reveses, de acordo com o diretor executivo da Real Time Big Data, Lucas Thut Sahd. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, da revista VEJA, ele afirmou que o desempenho recente do parlamentar não garante uma trajetória contínua de crescimento.
Desafios pela frente
“Nem tudo é céu de brigadeiro para ele, de que ele vai conseguir apenas subir nas pesquisas”, declarou Sahd. Segundo o analista, o crescimento observado nas sondagens convive com uma alta rejeição e tende a enfrentar uma reação mais dura dos adversários políticos.
No levantamento divulgado nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno, embora em empate técnico. Já no primeiro turno, o petista mantém a liderança.
Pulverização de votos na direita
Para Sahd, esse quadro reflete tanto a divisão de votos no campo da direita quanto o ambiente econômico, que tem pesado na decisão do eleitor. “A gente tem pelo menos 12% dos votos pulverizados nesses candidatos que, no segundo turno, acabam indo majoritariamente para o Flávio”, afirmou.
Ele ressaltou, no entanto, que o cenário deve se tornar mais adverso com o início oficial da campanha. “Ele vai começar agora a ter o contra-ataque dos outros, dos adversários”, disse, ao citar a tendência de intensificação de críticas e embates diretos entre os candidatos.
Economia como pauta principal
Sahd também destacou que a economia desponta como principal tema da eleição, superando questões como corrupção. De acordo com ele, o eleitor está focado na perda de poder de compra e na dificuldade de manter o padrão de vida. “A gente nota que o eleitor está procurando de verdade é quem melhora a economia”, afirmou.
Nesse contexto, o diretor avaliou que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro enfrentam desafios. O presidente precisa, segundo ele, apresentar resultados concretos para reverter a percepção negativa sobre a economia, enquanto o senador busca ampliar sua comunicação com segmentos onde ainda tem menor penetração, como jovens e eleitores do Nordeste.
Alta rejeição e estabilidade
Outro fator apontado por Sahd é o alto índice de rejeição dos principais candidatos, o que contribui para um cenário mais estável e com oscilações limitadas nas pesquisas. Essa característica, segundo ele, reforça o equilíbrio da disputa.
Ao final, o diretor da Real Time Big Data indicou que o quadro permanece aberto e dependerá do desenrolar da campanha. A capacidade de apresentar propostas e responder às demandas econômicas do eleitorado deve ser determinante para o resultado final das eleições.



