CEO da Quaest revela três grupos que definirão eleição Lula x Flávio
Quaest: três grupos decidirão eleição Lula x Flávio

Apesar de o cenário eleitoral parecer congelado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, os números mais recentes das pesquisas indicam que a disputa presidencial continua aberta. A avaliação foi feita pelo cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, durante participação no programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz. Ao lado do colunista Robson Bonin, de Radar, e do editor José Benedito da Silva, Nunes analisou os dados das novas pesquisas do instituto e afirmou que a eleição ainda será definida por uma parcela significativa de eleitores independentes, pragmáticos e pouco identificados com a polarização política.

“Quarenta e três por cento dos eleitores ainda admitem mudar de voto”, destacou o pesquisador. Segundo ele, embora Lula e Flávio concentrem quase 80% das intenções de voto em cenários de segundo turno, a decisão definitiva de parte relevante do eleitorado dependerá da percepção sobre economia, propostas concretas e rejeição aos dois polos políticos.

Por que a eleição ainda está aberta?

Durante o programa, Ricardo Ferraz destacou que os levantamentos recentes mostram estabilidade na polarização entre Lula e Flávio, mas também revelam uma disputa menos consolidada do que aparenta. A pesquisa Quaest mostra que 57% dos eleitores afirmam ter voto definitivo, enquanto 43% dizem que ainda podem mudar de escolha até outubro. Para Felipe Nunes, esse contingente é decisivo.

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“O brasileiro polarizado está dizendo: ‘eu estou fazendo essa escolha, mas ela pode mudar se alguma coisa acontecer’”, afirmou. Segundo o CEO da Quaest, essa fatia da população é formada principalmente por três grupos: eleitores independentes; jovens menos ideológicos; e pessoas que buscam uma alternativa moderada fora da polarização.

Quem são os eleitores pendulares?

Nunes classificou esse grupo como um “eleitor pêndulo”, mais pragmático do que ideológico. “Eles buscam um outsider ou um candidato moderado”, afirmou. Segundo ele, esses eleitores rejeitam tanto o lulismo quanto o bolsonarismo mais radical e tendem a decidir o voto mais perto da eleição, de acordo com o ambiente econômico e político.

O pesquisador também apontou as regiões estratégicas onde essa disputa será mais intensa: cidade de São Paulo; região metropolitana de Belo Horizonte; região industrial de Salvador e Baixada Fluminense. “Essas quatro regiões são fundamentais para entender o que pode mudar o jogo até outubro”, disse.

Por que a economia não melhora a percepção do governo?

Um dos principais pontos debatidos no programa foi a desconexão entre os indicadores econômicos positivos e o humor negativo do eleitorado. Nunes afirmou que, embora o governo apresente crescimento do PIB, desemprego baixo e inflação sob controle, isso não está sendo percebido de forma concreta pela população. A explicação, segundo ele, está no conceito de “affordability”, termo usado para definir a capacidade da renda de melhorar efetivamente o padrão de vida.

“Hoje o governo não constrói isso porque boa parte do custo de vida está aumentando pelo endividamento e os preços continuam altos”, afirmou.

A rejeição ainda pode decidir a eleição?

José Benedito observou que o segundo turno tende a ser definido mais pela rejeição do que pela aprovação dos candidatos. Nunes afirmou que Lula e Flávio possuem hoje índices praticamente idênticos de rejeição. “A pergunta decisiva é: do que você tem mais medo? Do retorno da família Bolsonaro ou da continuidade do governo Lula?”, afirmou.

Segundo ele, o cenário está equilibrado, mas houve uma mudança importante nos últimos meses: parte do eleitorado passou a enxergar Flávio como mais moderado do que o restante da família. “Se Flávio convencer os brasileiros de que ele é diferente da família, ele terá vantagens eleitorais”, disse.

A campanha negativa pode afastar os independentes?

Bonin questionou se uma campanha marcada apenas por ataques mútuos poderia afastar justamente os eleitores que ainda estão indecisos. Nunes concordou e alertou que o excesso de confronto pode aumentar a abstenção eleitoral. “Se a eleição for um lamaçal de críticas dos dois lados, esse eleitor tende a se abster do processo eleitoral”, afirmou.

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Segundo ele, para conquistar o eleitor independente, Lula e Flávio precisarão apresentar propostas concretas para melhorar a vida da população a partir de 2027.

Por que jovens e mulheres ganharam peso eleitoral?

Na reta final da entrevista, Nunes destacou que dois grupos terão protagonismo especial na eleição: os jovens e as mulheres. Segundo o pesquisador, o eleitor jovem atual rejeita a polarização mais do que as gerações anteriores. “O jovem de hoje não é mais tão de esquerda como os pais, mas também não é de direita”, afirmou.

Já as mulheres ganharam peso crescente por mudanças sociais e econômicas. “Metade dos domicílios brasileiros são chefiados por mulheres”, disse. Para os analistas do programa, esses grupos podem acabar definindo a disputa presidencial em um cenário ainda extremamente equilibrado.