PSOL rejeita federação com PT por ampla maioria, mas mantém apoio à reeleição de Lula
PSOL rejeita federação com PT, mas apoia Lula no 1º turno

Decisão histórica do PSOL marca ruptura formal com PT

Em uma reunião realizada neste sábado, 7 de março de 2026, o Diretório Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) tomou uma decisão que altera significativamente o cenário político da esquerda brasileira. Por uma ampla maioria de 76% contra 24%, os dirigentes do partido votaram pelo encerramento da federação que mantinham com o Partido dos Trabalhadores (PT), uma aliança que vinha sendo questionada internamente há meses.

Derrota para ala de Boulos e preservação da autonomia

A decisão representa um revés importante para a ala do partido liderada por Guilherme Boulos, que havia migrado para dentro do governo Lula com a missão específica de construir pontes com movimentos sociais e fortalecer alianças com setores da esquerda. A votação demonstrou que a maioria do PSOL prioriza a preservação da autonomia partidária e evita associações que possam diluir sua identidade política distintiva.

Durante a reunião, foi destacado que a federação não se tratava de uma simples aliança eleitoral temporária. Este acordo, que teria duração de quatro anos, exigia que todos os membros defendessem as mesmas candidaturas em todo o território nacional, uma condição que vinha gerando desconforto entre alas majoritárias do PSOL. A manutenção dessa federação obrigaria o partido a campanhas conjuntas com agremiações de centro e centro-direita, como o PSD e o União Brasil, com os quais o PT mantém alianças estratégicas.

Histórico de dissidência e busca por identidade própria

O PSOL nasceu em 2004 como uma dissidência direta do PT, após a expulsão de parlamentares e militantes que discordavam das políticas econômicas implementadas durante o primeiro governo Lula. Essa origem histórica tornava a relação entre os dois partidos especialmente complexa, com o PSOL constantemente buscando afirmar sua identidade autônoma e evitar a percepção de ser um mero "puxadinho" do partido governista.

A deputada federal Sâmia Bomfim, uma das vozes mais ativas contra a manutenção da federação, explicou nas redes sociais: "O partido reafirma que estará com Lula nas eleições, seguirá na linha de frente no enfrentamento à extrema direita e seguiremos construindo mobilizações em unidade nas ruas. Mas isso não significa que nosso partido deve se diluir ou tampouco abrir mão de sua identidade e combatividade".

Federação com Rede é renovada enquanto apoio a Lula permanece

Paradoxalmente, enquanto rejeitava a federação com o PT, o PSOL decidiu renovar por mais quatro anos sua federação com a Rede Sustentabilidade. Esta decisão estratégica demonstra que o partido busca manter alianças que não comprometam seus princípios fundamentais nem obriguem a conchavos com partidos de espectro político divergente.

Importante destacar que, apesar do rompimento da federação, o Diretório Nacional do PSOL aprovou o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro turno das eleições. Esta posição deixa claro que o partido mantém sua oposição à extrema direita e seu compromisso com a derrota dos projetos políticos conservadores, mesmo sem a estrutura formal da federação partidária.

Além de Sâmia Bomfim, outros parlamentares como Glauber Braga e Fernanda Melchionna integraram o grupo que se posicionou contra a manutenção da federação com o PT. A movimentação política entre os dois partidos vem sendo acompanhada de perto pela imprensa nacional, com a edição número 2985 da revista Veja revelando bastidores importantes dessas negociações.

Esta decisão do PSOL ocorre em um contexto eleitoral crucial e redefine as relações dentro do campo progressista brasileiro, estabelecendo novos parâmetros para alianças e colaborações futuras entre partidos de esquerda no país.