Ala do PSD interpreta movimentação de Kassab como 'jogo de cena' e antecipa 'libera geral' em breve
Embora Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, tenha mantido a pretensão do partido de lançar um candidato próprio ao Palácio do Planalto mesmo após a desistência de Ratinho Júnior, parlamentares da legenda avaliam que se trata de uma jogada estratégica do dirigente. O objetivo seria elevar o valor de seu 'passe' nas negociações estaduais com outros atores políticos, em um cenário eleitoral complexo.
Estratégia de curto prazo e expectativa de liberação
Uma ala significativa do PSD aposta que Kassab sustentará a candidatura própria apenas enquanto for viável. A avaliação predominante entre esses parlamentares é que, em algum momento, ele retirará o time de campo e permitirá que os filiados apoiem quem desejarem na corrida presidencial. Essa movimentação é vista como um 'jogo de cena' para fortalecer a posição do partido antes de uma eventual liberação geral.
Com a saída de Ratinho Júnior, outros dois quadros do PSD permanecem na disputa: os governadores Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. Fontes internas indicam que o goiano Caiado registra um favoritismo dentro do partido, embora Kassab tenha reforçado que decidirá entre os dois até a próxima semana.
Ceticismo e desafios internos
Essa sinalização do presidente nacional do PSD é recebida com ceticismo por parte de seus comandados. Além da expectativa de que um nome do PSD não empolgue o eleitorado e não avance significativamente nas pesquisas, há a percepção de que nem mesmo os palanques estaduais do partido teriam disposição para se associar ao presidenciável da sigla.
Muitos prefeririam se alinhar a figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o senador Flávio Bolsonaro, em busca de maior viabilidade eleitoral. Com isso, prevalece a leitura de que Kassab terá argumentos sólidos para 'rifar' a candidatura própria mais adiante, permitindo que os comandados se associem a quem quiserem na disputa nacional.
O cenário político brasileiro segue em ebulição, com o PSD navegando entre a autonomia partidária e as alianças pragmáticas. A estratégia de Kassab, portanto, é vista como um movimento calculado para maximizar a influência do partido nos próximos meses, antes de uma possível abertura total das bases.



