O Partido Liberal (PL) enfrenta um cenário desafiador para as próximas eleições da Câmara dos Deputados após perder dois de seus principais puxadores de voto: Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli. Ambos foram eleitos com votação expressiva em 2022, mas perderam seus mandatos no ano passado em circunstâncias distintas, deixando um vácuo significativo na estratégia eleitoral do partido.
As perdas do PL
Eduardo Bolsonaro, quarto mais votado em São Paulo em 2022 com 741.701 votos, está atualmente nos Estados Unidos. Seu mandato foi cassado por excesso de faltas na Câmara, e ele é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de tentar coagir autoridades em relação ao julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Caso seja condenado, Eduardo se tornará inelegível, o que representaria mais um revés para o partido.
Já Carla Zambelli, a mais votada do PL em São Paulo e terceira deputada mais votada do país em 2022 com 946.244 votos, enfrenta uma situação ainda mais grave. Ela está presa na Itália desde julho do ano passado, para onde fugiu após ser condenada a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Zambelli renunciou ao mandato após o STF cassar seu cargo e está inelegível por oito anos, o que a afasta completamente do cenário político eleitoral.
O impacto nas eleições
A perda desses dois nomes de grande apelo popular representa um desafio considerável para o PL, que em 2022 elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 99 parlamentares. Puxadores de voto são figuras políticas que, devido à sua popularidade, conseguem atingir a meta de votos necessária para eleger não apenas a si mesmos, mas também outros candidatos bem posicionados na lista partidária, ampliando assim a bancada do partido.
Diante desse cenário, o PL precisa encontrar novas estratégias e nomes que possam assumir esse papel fundamental para tentar repetir ou ao menos se aproximar do desempenho alcançado na última eleição.
As novas apostas do partido
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, identificou o Sudeste como região-chave para a eleição de deputados federais, destacando São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro como estados estratégicos. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2024, São Paulo e Minas Gerais são respectivamente o primeiro e o segundo maiores colégios eleitorais do país, com 34.403.609 e 16.469.155 eleitores.
Principais nomes citados
Entre as apostas de Valdemar na região Sudeste estão:
- Nikolas Ferreira (PL-MG): Obteve 1.492.047 votos em 2022 em sua primeira campanha à Câmara e é considerado uma das principais apostas eleitorais do PL no país. O deputado mineiro afirmou que permanece firme no compromisso de ajudar o partido a construir uma bancada forte e alinhada com os valores defendidos.
- Sóstenes Cavalcante (PL-RJ): Outro nome confirmado para disputar a reeleição e visto como potencial puxador de voto na região.
Além desses, Valdemar também aposta em:
- Lucas Pavanato (PL-SP): Vereador de São Paulo que recebeu 161.386 votos nas eleições municipais de 2024. Embora não confirme oficialmente candidatura à Câmara, admite que a possibilidade existe e destaca que sua eleição em nível municipal e seu posicionamento na mídia contribuem para suas chances.
- Sargento Salazar (PL-AM): Vereador de Manaus citado como potencial candidato.
- Ana Campagnolo (PL-SC): Deputada estadual de Santa Catarina incluída na lista de apostas do presidente do partido.
Outros potenciais puxadores
A lista de Valdemar inclui ainda outros deputados federais apontados como potenciais puxadores de voto em seus respectivos estados:
- André Fernandes (PL-CE)
- Detinha (PL-MA)
- Éder Mauro (PL-PA)
- Cabo Gilberto (PL-PB)
- André Ferreira (PL-PE)
- Altineu Côrtes (PL-RJ)
- Zucco (PL-RS)
O desafio pela frente
O PL enfrenta o duplo desafio de substituir dois de seus maiores puxadores de voto enquanto busca manter ou expandir sua bancada na Câmara dos Deputados. A estratégia do partido parece focar em identificar nomes com potencial de atração eleitoral em diferentes regiões do país, especialmente nos maiores colégios eleitorais, onde a perda de votos poderia ser mais significativa.
Com as eleições se aproximando, o sucesso ou fracasso dessas novas apostas determinará se o PL conseguirá manter sua posição de maior bancada da Câmara ou se verá reduzida sua influência no próximo legislativo. A capacidade do partido de mobilizar eleitores sem seus antigos puxadores de voto será testada nas urnas, em um cenário político que se mostra cada vez mais competitivo e imprevisível.



