Datafolha em Pernambuco: Raquel Lyra reduz vantagem de João Campos e disputa se acirra
Pesquisa Datafolha: Raquel Lyra reduz vantagem de João Campos em PE

Pesquisa Datafolha revela cenário eleitoral acirrado em Pernambuco

Uma nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, apresenta um cenário eleitoral dinâmico e competitivo para o governo de Pernambuco. O levantamento, que ouviu 1.022 pessoas entre os dias 2 e 4 de fevereiro, com margem de erro de 3 pontos percentuais e grau de confiança de 95%, mostra mudanças significativas nas intenções de voto desde a última pesquisa do instituto realizada em outubro de 2025.

Cenário estimulado: Campos mantém liderança, mas vantagem diminui

No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, o prefeito de Recife, João Campos (PSB), continua liderando as intenções de voto com 47%. No entanto, esse número representa uma queda de seis pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. A atual governadora, Raquel Lyra (PSD), aparece em segundo lugar com 35%, registrando um crescimento de quatro pontos.

Essa movimentação fez com que a distância entre os dois principais candidatos diminuísse consideravelmente. Enquanto em outubro a vantagem de Campos era de 22 pontos percentuais, agora essa diferença caiu para apenas 12 pontos, representando uma redução de dez pontos na liderança do prefeito recifense.

Os demais candidatos medidos na pesquisa aparecem com percentuais menores: o vereador de Recife Eduardo Moura (Novo) tem 5% das intenções de voto, registrando um aumento de um ponto, enquanto o ex-vereador da capital pernambucana Ivan Moraes (PSOL) aparece com 1%, mantendo-se estável. Os votos brancos ou nulos somam 10%, e 2% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

Cenário espontâneo: Lyra inverte posições e assume liderança

Uma das revelações mais significativas da pesquisa Datafolha aparece no cenário espontâneo, quando os entrevistadores não citam os nomes dos candidatos e deixam que os eleitores mencionem por conta própria quem pretendem votar. Nesse contexto, Raquel Lyra assume a dianteira com 24% das intenções de voto, enquanto João Campos aparece em segundo lugar com 18%.

Essa inversão de posições no cenário espontâneo sugere que a governadora possui uma recordação espontânea mais forte entre os eleitores pernambucanos, enquanto o prefeito de Recife depende mais do estímulo direto de seu nome durante as entrevistas. Os demais candidatos não alcançaram 1% nesse cenário, enquanto os votos brancos e nulos somaram 11%. Um percentual significativo de 39% dos entrevistados não soube ou não respondeu quando questionado sem estímulo.

Segundo turno e índices de rejeição

O Datafolha também investigou um possível cenário de segundo turno entre os dois principais candidatos. Nessa simulação, João Campos venceria Raquel Lyra com 53% das intenções de voto contra 40% da governadora. No entanto, assim como no primeiro turno, a distância entre os candidatos diminuiu consideravelmente em relação à pesquisa anterior.

Em outubro de 2025, a diferença no segundo turno era de 23 pontos percentuais (58% para Campos contra 35% para Lyra). Agora, essa vantagem caiu para apenas 13 pontos, indicando que a disputa se tornou mais equilibrada mesmo em um eventual segundo turno.

Os índices de rejeição apresentados pela pesquisa revelam que Ivan Moraes (PSOL) tem a maior taxa de rejeição entre os candidatos medidos: 43%. Em seguida aparece Eduardo Moura (Novo) com 35% de rejeição. Entre os principais candidatos, Raquel Lyra tem 31% de rejeição, enquanto João Campos apresenta 23%. A pesquisa também registrou que 5% dos entrevistados não souberam responder sobre rejeição, 3% disseram que rejeitam todos os candidatos ou não votariam em nenhum, e 2% afirmaram que votariam em qualquer um ou não rejeitam nenhum candidato.

Contexto político e importância da pesquisa

Esta pesquisa Datafolha, encomendada pela Rede Nordeste de Comunicação, Rádio CBN e Rádio Mix, representa o primeiro retrato do ano eleitoral em Pernambuco e capta um período particularmente tenso para ambos os principais candidatos.

Para João Campos, o levantamento ocorre em meio à votação do pedido de impeachment pela Câmara Municipal do Recife, um processo que certamente impacta sua imagem política. Já para Raquel Lyra, a pesquisa foi realizada após o fim das atividades da Logo Caruaruense e durante a repercussão da investigação preliminar conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco contra Gustavo Monteiro, chefe de Articulação Política e Social do Recife.

Esses fatores contextuais ajudam a explicar as movimentações observadas na pesquisa, que apontam para uma disputa cada vez mais acirrada pelo governo de Pernambuco. A redução da vantagem de Campos e a capacidade de Lyra de aparecer à frente no cenário espontâneo sugerem que as eleições estaduais pernambucanas prometem ser uma das mais competitivas do ciclo eleitoral.

Com ainda alguns meses até as eleições, ambos os candidatos terão que trabalhar para consolidar suas bases eleitorais e atrair os eleitores indecisos, que representam uma parcela significativa do eleitorado conforme demonstrado pela pesquisa. O cenário dinâmico apresentado pelo Datafolha indica que a corrida pelo Palácio do Campo das Princesas está longe de ter um vencedor definido.