Datafolha revela pessimismo econômico enquanto Haddad prepara candidatura em São Paulo
Pesquisa Datafolha mostra desconfiança na economia antes de Haddad em SP

Pesquisa Datafolha aponta aumento do pessimismo econômico no Brasil

Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira, 10 de março de 2026, revela um cenário de crescente desconfiança dos brasileiros em relação à economia nacional. O levantamento mostra que 46% da população avalia que a situação econômica do país piorou nos últimos meses, representando um aumento significativo em comparação com os 41% registrados em dezembro do ano anterior.

Expectativas futuras também se deterioram

A sondagem realizada entre 3 e 5 de março com 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros aponta que a perspectiva para os próximos meses também se tornou mais sombria. Apenas 30% dos eleitores acreditam que a economia irá melhorar, uma queda de dezesseis pontos percentuais em relação aos 46% que tinham essa expectativa em dezembro.

Paralelamente, os que preveem piora no cenário econômico saltaram de 21% para 35% no mesmo período. Mesmo no plano individual, a avaliação se deteriorou: 33% dos entrevistados afirmam que sua situação financeira pessoal piorou nos últimos meses, contra 26% em dezembro.

Haddad prepara saída do Ministério da Fazenda para disputa eleitoral

Neste contexto de pessimismo econômico, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que deixará a pasta nos próximos dias para disputar as eleições deste ano. Embora tenha evitado confirmar oficialmente, tudo indica que o petista enfrentará o governador Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo de São Paulo.

"Estamos conversando, estudando a que concorrer. Não é só a candidatura. Temos que ver o grupo de pessoas que vão compor a chapa", declarou Haddad, mantendo certa cautela sobre seus planos eleitorais.

Desafios significativos na corrida por São Paulo

A edição de VEJA desta semana destaca como o embate com Tarcísio representa uma aposta de risco para Haddad. Com três derrotas nas últimas eleições que disputou (prefeito em 2016, presidente em 2018 e governador em 2022), um quarto revés poderia cristalizar sua imagem de perdedor e dificultar seus planos de suceder Lula na eleição presidencial de 2030.

Além do favoritismo de Tarcísio, que lidera todas as pesquisas com 44% contra 31% de Haddad no primeiro turno segundo o Datafolha, o ministro enfrentará um adversário que comanda a maior máquina pública estadual do país sem necessidade de renunciar ao cargo, além de contar com forte apoio do bolsonarismo e do PL.

Composição da chapa ainda em definição

A candidatura de Haddad ainda não foi formalmente confirmada por várias razões. Seu entorno preferiria não antecipar discussões eleitorais, aguardando até após 3 de abril, data-limite para desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos conforme legislação eleitoral.

A composição da chapa também apresenta desafios. Ventila-se a possibilidade de lançar as ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente) para as duas vagas ao Senado, mas uma composição 100% feminina e progressista poderia ser vista como "radical" demais para o eleitorado paulista, atraindo mais rejeição do que identificação.

Negociações com aliados em andamento

Conversas sobre a formação da chapa também estão sendo realizadas com o PSB, envolvendo principalmente os papéis a serem desempenhados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro Márcio França, ambos ex-governadores de São Paulo.

No caso de Alckmin, que já expressou desejo de continuar como vice-presidente, aliados garantem que ainda há duas possibilidades remotas: disputar uma vaga ao Senado ou mesmo concorrer ao governo estadual. Já para Haddad, especula-se que ele preferiria um vice de perfil mais centrista para ampliar seu eleitorado, emulando a estratégia de Lula com Alckmin na eleição presidencial de 2022.

A margem de erro da pesquisa Datafolha é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O cenário econômico desfavorável e as complexas negociações políticas configuram um ambiente desafiador para a nova empreitada eleitoral de Fernando Haddad.