Hugo Motta aposta em acordo Mercosul-UE para recuperar liderança e imagem do Congresso
Motta prioriza acordo Mercosul-UE para sair da defensiva política

Cartada internacional de Hugo Motta para sair da defensiva política

Diante de uma imagem fragilizada e um Congresso sob desgaste crescente, o presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciou que pretende priorizar a votação do acordo Mercosul-União Europeia já na próxima semana. A iniciativa ocorre num momento delicado para o comando da Câmara e para a própria imagem do Legislativo, que enfrenta forte rejeição popular.

Estratégia econômica ou sobrevivência política?

"Com as incertezas acerca da imposição de tarifas pelos Estados Unidos, resta ao Brasil lutar pela previsibilidade nas relações comerciais internacionais", escreveu Motta em suas redes sociais. O gesto é lido não apenas como movimento econômico, mas como tentativa de reerguer uma liderança em xeque.

Segundo análise apresentada no programa Ponto de Vista, o presidente da Câmara precisa se recuperar de uma percepção de fragilidade na condução dos trabalhos. "O Hugo Motta precisa se recuperar", afirmou a jornalista Marcela Rahal, apontando que há hoje uma imagem de liderança "não exercida de forma adequada".

Desgaste estrutural do Congresso

O colunista Mauro Paulino destacou que a deterioração da imagem do Legislativo não é pontual e está crescendo de forma preocupante. "A população está rejeitando cada vez mais a atuação de deputados e senadores", afirmou, com base em pesquisas de opinião recentes.

A percepção dominante, segundo o diagnóstico apresentado, é de que a Câmara atua "muito mais a favor dos seus membros do que a favor da sociedade". Esse sentimento de distanciamento entre representantes e representados alimenta o desgaste institucional que se aprofunda a cada nova crise política.

Reconexão com agenda nacional

Nesse cenário desfavorável, pautas de interesse nacional como o acordo comercial funcionam como tentativa de reconectar o Congresso com uma agenda de país. O tratado entre Mercosul e União Europeia é tratado pelo governo como marco histórico e oferece oportunidade para Motta se posicionar como condutor de tema de longo prazo.

Paulino avalia que o presidente da Câmara precisa "desses fatos, dessas ações" para recuperar parte da popularidade e do prestígio perdidos. Não se trata apenas de aprovar um tratado, mas de sinalizar capacidade de articulação e direção política em meio às turbulências tarifárias globais.

Desafio simbólico e político

Ao abraçar uma pauta estruturante e de repercussão internacional, Motta tenta demonstrar comando e agenda própria. O acordo Mercosul-UE, além de estratégico para a política externa brasileira, representa gesto de previsibilidade comercial em tempos de incertezas.

O grande desafio, no entanto, é que a iniciativa consiga produzir efeito simbólico suficiente para alterar uma tendência de desgaste que, segundo as pesquisas, vem se aprofundando de forma consistente. A votação do tratado será acompanhada de perto como termômetro da capacidade de recuperação política do presidente da Câmara e do próprio Congresso.