Sergio Moro enfrenta oposição interna no PL após filiação para Governo do Paraná
O senador Sergio Moro, que oficializou sua filiação ao Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (24) para concorrer ao Governo do Paraná, já encontra resistência significativa dentro dos quadros partidários. A insatisfação com a chegada do ex-juiz da Operação Lava Jato é liderada pelo presidente estadual do PL, deputado federal Fernando Giacobo, que comunicou a aliados sua decisão de deixar o comando da legenda no estado.
A reportagem não conseguiu contato com Giacobo para comentários, e Moro optou por não se manifestar sobre o assunto. O deputado federal Filipe Barros (PL), que será um dos candidatos ao Senado na chapa de Moro, também preferiu não comentar, assumindo o posto de presidente estadual do PL no lugar de Giacobo.
Giacobo anuncia saída do PL e possível migração para o PSD
Em comunicado enviado a prefeitos filiados ao PL, Giacobo afirmou que também vai deixar o partido, declarando: "conto com vocês para caminharmos juntos nesse novo momento". Ele deve se filiar ao Partido Social Democrático (PSD) do governador Ratinho Junior e pode convencer outros políticos do PL a fazerem a mesma troca, o que representa um desafio para a unidade partidária.
A ausência de Giacobo no ato de filiação de Moro, realizado em Brasília, foi notada pelos correligionários, destacando a tensão interna. Na visão do presidente local, o PL deveria manter a aliança com o PSD de Ratinho Junior, que na segunda-feira (23) desistiu da corrida ao Planalto e optou por terminar seu mandato no Palácio Iguaçu, focando em garantir a vitória de um sucessor.
Conflitos partidários e cenário eleitoral no Paraná
O nome do PSD para a disputa ao governo paranaense ainda não foi definido, e o grupo teme uma derrota para Moro, que tem figurado em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Este não é o primeiro atrito de Moro com correligionários; ele também protagonizou conflitos com integrantes do União Brasil no Paraná, quando ainda estava filiado ao partido de Antonio Rueda.
O maior desgaste na relação com o União Brasil ocorreu durante as eleições de 2024, quando Moro contestou nomes de correligionários lançados em cidades estratégicas e chegou a pedir intervenção da cúpula partidária. No final do ano passado, Moro também foi rejeitado pelo Progressistas (PP), que no Paraná é controlado pelo deputado federal Ricardo Barros, com apoio de Ciro Nogueira, presidente nacional da sigla.
Articulações políticas e alianças em jogo
O espaço no PL foi conquistado por Moro na esteira das articulações em torno da corrida ao Planalto. Lançado como pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) buscava um palanque no Paraná, já que Ratinho Junior também se colocava como um nome ao governo federal. A desistência repentina de Ratinho Junior pegou aliados de surpresa, mas não alterou o acordo que Moro havia feito com a cúpula do PL dias atrás.
Aliados do governador afirmam que a opinião da família pesou na decisão, mas a dificuldade em garantir uma candidatura viável para seu grupo no Palácio Iguaçu também influenciou. Além de perder o PL, o PSD paranaense ficou sem o partido Novo, cuja principal liderança no estado é o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol.
Relação entre Moro e Deltan e novas alianças
Moro e Deltan se afastaram nas eleições de 2024, quando o ex-procurador caminhou ao lado do grupo de Ratinho Junior para eleger Eduardo Pimentel (PSD) à Prefeitura de Curitiba. No mesmo pleito, Moro lançava sua mulher, a deputada federal Rosangela Moro, como candidata a vice-prefeita da capital na chapa do União Brasil.
Agora, para as eleições de 2026, Moro conseguiu atrair o Novo para sua chapa, com Deltan figurando como pré-candidato ao Senado, assim como Filipe Barros. Na avaliação de integrantes do Novo, não havia como o partido no Paraná permanecer apoiando o PSD, contra o bolsonarismo e contra o ex-juiz da Lava Jato.
A operação deflagrada há mais de dez anos sustentou a entrada na vida partidária de Deltan e Moro, dupla que carrega a bandeira anti-PT. Para que a aliança entre PL e Novo se consolidasse, o partido de Deltan também precisou descartar a possibilidade de uma candidatura própria, que chegou a ser ventilada com a filiação do ex-deputado federal e atual vice-prefeito de Curitiba Paulo Martins, no ano passado.
Outros pré-candidatos e cenário político no estado
Além de Moro, outros dois pré-candidatos ao Executivo já foram lançados: o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que saiu do PSD e migrou para o MDB, e o deputado estadual Requião Filho (PDT), que tem o apoio do PT. Dentro do PSD, dois nomes desejam a vaga: o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alexandre Curi.
Como não há unanimidade no partido em torno dos dois nomes, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, também está sendo ventilado, assim como o atual vice-governador Darci Piana, indicando um cenário eleitoral competitivo e fragmentado no Paraná.



