Mateus Simões: 'O inimigo é o PT' e defende união da direita contra Lula
Mateus Simões: 'O inimigo é o PT' e defende união da direita

Em entrevista à Veja, Mateus Simões (PSD), governador de Minas Gerais desde o fim de março, afirma que o principal objetivo da direita é derrotar o PT nas eleições de outubro. Com menos de seis meses para convencer os 16 milhões de eleitores do segundo maior colégio eleitoral do país, ele busca a reeleição e tenta unir a direita em torno de seu nome, apoiando as candidaturas de Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL) para evitar a vitória de Lula no primeiro turno.

Pesquisas e estratégia

Simões reconhece que ainda patina nas pesquisas, com menos de dois dígitos de intenções de voto, mas acredita que sua posição como governador em exercício lhe dará visibilidade. “Os vices não são muito percebidos até que entrem no cargo. Em julho, quando terei quatro meses de mandato, as pessoas vão entender quem é apoiado por Zema”, afirma. Ele aposta em uma candidatura única da direita em Minas, descartando a participação de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ou de um nome do PL na disputa estadual.

Para alavancar sua candidatura, Simões decidiu passar os primeiros 100 dias de governo fora da capital, percorrendo as dezenove principais cidades do interior, onde vive 76% da população mineira. “Estar no interior é estar onde Minas de fato acontece”, justifica.

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Palanque triplo e união nacional

No plano nacional, Simões defende um palanque triplo para comportar Zema, Caiado e Flávio Bolsonaro. “Gosto do Caiado, mas tenho um compromisso de lealdade com Zema. Não tem motivo para eu não estar com ele. Caiado entende isso. Flávio é um pouco diferente. Tenho insistido com o PL que a gente pode ter um palanque duplo, com os senadores da chapa apoiando Flávio e eu apoiando Zema. Nós estamos defendendo a mesma coisa, que é derrotar o PT”, explica.

Ele acredita que a pluralidade de nomes na corrida ao Planalto ajuda a levar a disputa ao segundo turno, impedindo a reeleição de Lula. “É importante manter a estratégia, que o próprio Jair Bolsonaro defendeu, de ter várias frentes para estrangular a possibilidade de a esquerda vencer no primeiro turno.”

Divisão no PSD

Questionado sobre a divisão do PSD, que em estados como Rio, Bahia e Amazonas apoia Lula, Simões minimiza: “Passa um meridião na altura de Minas Gerais: para cima, o partido é de centro-esquerda, para baixo, é de centro-direita. Onde o centro tende à direita, ele será de centro-direita. Não me incomoda. Só ficaria muito desconfortável se o candidato do PSD à Presidência fosse de centro-esquerda.”

Dívida de Minas e privatizações

Sobre o aumento da dívida de Minas com a União, de R$ 115 bilhões para R$ 183 bilhões no governo Zema, Simões culpa o governo federal. “O governo federal é um agiota. Ele extorque os estados, cobrando juros muito maiores do que são capazes de pagar. Não pegamos nenhum centavo de dinheiro emprestado e, ainda assim, o saldo da dívida aumentou.” Ele critica a demora na homologação do Propag, acordo que reduziria os juros, e afirma que isso custa R$ 100 milhões extras por mês.

Simões defende a privatização de estatais como Copasa e Cemig, mas admite dificuldades políticas. “A trava é política e ideológica. A esquerda convenceu a população de que é bom ser dono de estatal. Para eles, é bom mesmo, pois metem a mão e enchem os bolsos.” Ele alerta que, mesmo com lucro de R$ 11 bilhões das estatais mineiras em 2025, é preciso vendê-las para evitar que o PT, se voltar ao poder, as transforme em cabide de empregos.

Críticas ao Judiciário

O governador critica o STF e o Tribunal de Contas por interferirem na administração. “No direito que eu estudei, o STF não se envolvia em assuntos políticos. Ministro não dava entrevista, hoje até tuíta. Falta noção de limite.” Ele cita Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes como exemplos de ministros que tratam adversários como inimigos institucionais. “Seria a mesma coisa de eu colocar a minha polícia em cima deles.”

Simões elogia os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia por se manterem discretos, mas critica colegas que “vivem de falar, de arranjar dinheiro para amigos e parentes, andar em jatinho dos outros”.

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Segurança pública e colégios cívico-militares

Para enfrentar o crime organizado, que cresce em Minas, Simões anuncia seis frentes de combate, incluindo a formação de 3 mil novos soldados da PM em maio. “Em Minas, não temos áreas de domínio de facção, mas o crime organizado está cada vez mais presente. Já temos mais de 2 mil faccionados presos em presídios especializados.”

Ele defende os colégios cívico-militares como uma opção para comunidades vulneráveis, onde há tráfico e violência. “Importante é os pais poderem escolher. Temos 4 mil escolas, e minha proposta é que a comunidade possa decidir sobre esse modelo em 700 locais com vulnerabilidade.”