Pesquisa Datafolha revela apoio majoritário à prisão domiciliar de Bolsonaro
Uma pesquisa recente do Instituto Datafolha divulgada neste sábado, 11 de abril de 2026, revelou que a maioria dos brasileiros defende a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Segundo o levantamento, 59% dos entrevistados são favoráveis à reclusão em casa, enquanto 37% acreditam que o político deveria cumprir pena no Complexo Penitenciário da Papuda. Apenas 5% não souberam responder.
Metodologia e contexto da pesquisa
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 cidades brasileiras entre os dias 7 e 9 de abril, estando registrada sob o número BR-03770/2026. O levantamento ocorre em um momento em que Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar desde 24 de março, após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão judicial ocorreu durante internação do ex-presidente em hospital de Brasília, onde ele se recuperava de complicações de saúde surgidas durante o período de prisão. A medida tem validade de 90 dias, após os quais Moraes reavaliará se mantém Bolsonaro em casa ou determina seu retorno ao sistema prisional.
Condições da prisão domiciliar
Durante o período de reclusão domiciliar, Jair Bolsonaro está sujeito a diversas restrições determinadas pelo STF. Entre as principais condições estão:
- Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica
- Limitação de permanência à área da residência
- Proibição de acesso a aparelhos celulares e telefones
- Vedação ao uso de meios de comunicação externa e redes sociais
O descumprimento de qualquer uma dessas condições pode resultar na revogação da concessão e no retorno imediato ao regime prisional convencional.
Cenário eleitoral polarizado para 2026
A pesquisa Datafolha também trouxe dados relevantes sobre o cenário político brasileiro para as eleições presidenciais de 2026, revelando um quadro marcado por polarização intensa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
Liderança e rejeição no primeiro turno
Nos cenários de primeiro turno, Lula mantém liderança consistente em todos os principais levantamentos, incluindo AtlasIntel, Genial/Quaest, Datafolha e Paraná Pesquisas. No entanto, os números indicam sinais de desgaste ao longo dos últimos meses, com variações conforme o instituto pesquisador.
Empate técnico no segundo turno
A principal novidade da pesquisa está no segundo turno, onde Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente pela primeira vez, com 46% contra 45% de Lula. Trata-se de um empate técnico dentro da margem de erro, padrão que já vinha sendo observado em outros institutos de pesquisa.
Os índices de rejeição também mostram proximidade preocupante: Lula registra 48% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 46%. Ambos ampliaram levemente esses índices em relação à rodada anterior, indicando que a polarização segue mobilizando não apenas apoio, mas também resistência significativa.
Crescimento consistente de Flávio Bolsonaro
Os dados indicam trajetória de crescimento consistente do senador Flávio Bolsonaro desde o fim de 2025. Ele reduziu significativamente a distância para Lula, especialmente no segundo turno, movimento que aparece de forma consistente em diferentes institutos de pesquisa.
O papel da rejeição na disputa
Com níveis elevados e próximos entre si, a rejeição se torna fator central no cenário eleitoral. Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam limites claros de expansão, fazendo com que a disputa dependa não apenas da conquista de novos eleitores, mas também da capacidade de reduzir resistências.
Nesse contexto, candidatos com menor rejeição, como os governadores Romeu Zema (Minas Gerais) e Ronaldo Caiado (Goiás) — que aparecem com índices significativamente mais baixos — seguem como referências de comparação, embora ainda sem competitividade equivalente aos dois principais nomes.
Cenário para as eleições de 2026
O conjunto de dados aponta para uma eleição polarizada, aberta e imprevisível. Lula segue como líder inicial, mas enfrenta um adversário consolidado e competitivo. A ausência de vantagem clara no segundo turno, somada aos altos índices de rejeição, sugere uma disputa prolongada e altamente dependente da dinâmica da campanha eleitoral.
A pesquisa também testou cenários com outros nomes, revelando que tanto Zema quanto Caiado empatam tecnicamente com Lula no segundo turno, com 42% cada, nas simulações realizadas pelo Datafolha.



