A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, nunca esteve tão gelada. A derrota de Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada, abriu uma crise sem precedentes entre os dois poderes.
Distanciamento histórico
Desde a reprovação do nome de Messias pelo Senado, Lula e Alcolumbre não se falaram. O silêncio é absoluto, e os tradicionais articuladores políticos ainda não surgiram para reconstruir as pontes. Esse distanciamento é inédito em governos petistas, onde o presidente sempre manteve uma relação próxima com o chefe do Legislativo.
Alcolumbre na sombra
Alcolumbre adota uma postura de espera, ciente de que Lula precisa mais dele do que o contrário. Com um mandato em queda nas pesquisas e um ministério desgastado, o petista busca aprovar matérias de apelo eleitoral, como a PEC da Segurança, mas vê poucas chances de avanço sem o apoio do Senado.
Fragilidade de Lula
A fragilidade atual de Lula contrasta com sua trajetória de articulador majoritário. Aliados aconselharam o presidente a não romper com Alcolumbre, mas até agora nenhum movimento de reaproximação foi feito. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que Lula buscará o diálogo, mas a prática ainda não se concretizou.
Enquanto isso, Lula planeja uma viagem aos Estados Unidos para encontrar Donald Trump, tentando contornar o constrangimento da derrota. Alcolumbre, por sua vez, observa o Planalto se debater no impasse que ele mesmo ajudou a criar. A política, marcada por alianças de conveniência, pode levar a uma reconciliação futura, mas o tempo necessário é incerto.



