Janela partidária encerra com trocas históricas que redesenham cenário eleitoral
O início de abril marcou o fechamento da janela partidária e do prazo para filiação eleitoral, desencadeando uma série de movimentações políticas significativas envolvendo nomes conhecidos nacionalmente. As mudanças abrangem desde pré-candidaturas à Presidência da República até disputas por governos estaduais e vagas no Congresso Nacional, reconfigurando alianças e estratégias a apenas seis meses do início oficial da campanha eleitoral.
Migrações estratégicas para a corrida presidencial
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, protagonizou uma das mudanças mais emblemáticas ao deixar o União Brasil e se filiar ao PSD. A movimentação representa uma aposta clara na candidatura à Presidência da República, após entender que seu caminho estava bloqueado na sigla anterior. Caiado lançou sua pré-candidatura em março, posicionando-se como alternativa na direita a Flávio Bolsonaro e prometendo anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro como um de seus primeiros atos de governo.
Reconfigurações no campo governista
No campo alinhado ao governo federal, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, realizou uma mudança histórica ao deixar o MDB após quase 30 anos de filiação. Sua migração para o PSB foi articulada diretamente pelo presidente Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, com o objetivo de disputar uma vaga ao Senado por São Paulo. Tebet justificou a escolha pela projeção política que obteve no estado durante as eleições de 2022, quando ficou em terceiro lugar na disputa presidencial antes de apoiar Lula no segundo turno.
Em Minas Gerais, estado considerado estratégico na corrida presidencial, o senador Rodrigo Pacheco trocou o PSD pelo PSB em um movimento de alinhamento com o Palácio do Planalto. A mudança visa viabilizar sua candidatura ao governo mineiro, já que a permanência no PSD tornou-se inviável com a provável candidatura do atual governador Mateus Simões. Minas Gerais representa o segundo maior colégio eleitoral do país e foi decisivo na vitória apertada de Lula sobre Bolsonaro em 2022.
Movimentações na oposição e realinhamentos estaduais
O senador Sergio Moro oficializou em março sua entrada no PL para concorrer ao governo do Paraná, marcando um rompimento do partido com o governador Ratinho Junior do PSD. Em seu discurso de filiação, Moro prometeu um palanque forte para Flávio Bolsonaro e anunciou uma chapa composta por nomes ligados à Operação Lava Jato, incluindo Deltan Dallagnol do Novo para o Senado.
O vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, manteve-se no PL mas transferiu seu domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Santa Catarina, onde deve ser candidato ao Senado. Essa movimentação reflete uma estratégia de expansão da influência bolsonarista em novos territórios eleitorais.
Outras mudanças significativas no cenário nacional
Ciro Gomes retornou ao PSDB após deixar o PDT, criticando a aliança deste último com o PT no Ceará. O ex-presidenciável busca disputar o governo do estado que já ocupou na década de 1990, em uma cerimônia de filiação que contou com a presença de lideranças bolsonaristas.
A ex-senadora Kátia Abreu, com trajetória ligada ao agronegócio e partidos de direita, anunciou sua filiação ao PT no Tocantins como gesto de apoio à reeleição de Lula. A mudança foi classificada por ela como uma etapa na "luta pela democracia" e contou com apoio direto do Palácio do Planalto.
A parlamentar maranhense Eliziane Gama saiu do PSD para ingressar no PT a convite de Lula, visando sua reeleição ao Senado. A senadora afirmou que discordava do "novo caminho político" adotado pelo PSD com a candidatura de Caiado à Presidência.
Trocas na Câmara dos Deputados e impactos partidários
A Câmara dos Deputados registrou ao menos 37 trocas durante a janela partidária, período de 30 dias em que parlamentares podem mudar de sigla sem perder o mandato. Entre as movimentações mais relevantes:
- Luizianne Lins deixou o PT após 37 anos e se filiou à Rede Sustentabilidade
- Túlio Gadêlha migrou da Rede para o PSD para disputar Senado por Pernambuco
- Duda Salabert retornou ao PSOL após deixar o PDT
- Kim Kataguiri trocou União Brasil pelo recém-criado partido Missão
- Rosangela Moro acompanhou o marido e trocou União Brasil pelo PL
As migrações agravaram tensões entre União Brasil e PL, com o primeiro perdendo oito deputados federais e o segundo ganhando reforço de dez parlamentares. Lideranças do União Brasil acusam o PL de ter "ido pra cima" de quadros com protagonismo no Congresso, incluindo relatores de matérias importantes como a PEC da Segurança e a CPMI do INSS.
Essas movimentações em massa demonstram como as trocas partidárias refletem não apenas disputas regionais, mas também alinhamentos nacionais que estão redesenhando completamente o cenário político brasileiro às vésperas de mais um ciclo eleitoral decisivo para o país.



