Governador do Acre oficializa renúncia para concorrer ao Senado nas eleições de 2026
O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), formalizou nesta terça-feira (24) sua renúncia ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão foi comunicada através de mensagem oficial enviada à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), com efeitos a partir do dia 2 de abril.
Com a saída de Cameli do Palácio Rio Branco, a vice-governadora Mailza Assis (PP) assume automaticamente o comando do estado. A transição de poder, segundo informações do governo estadual, ocorre de forma planejada para garantir a continuidade administrativa e a manutenção de programas e políticas públicas em andamento.
Conformidade com a legislação eleitoral
A renúncia segue o que determina a Constituição Federal, que exige o afastamento de ocupantes de cargos como governadores até seis meses antes do pleito, como condição obrigatória para concorrer a outra função eletiva. Na prática, esta medida busca evitar o uso indevido da máquina pública durante períodos eleitorais.
Na mensagem encaminhada ao presidente da Aleac, Nicolau Júnior, Gladson Cameli fez um balanço positivo de sua gestão e agradeceu o apoio recebido de parlamentares, servidores públicos e da população acreana durante seu mandato.
"Descerei as escadas do Palácio Rio Branco satisfeito, com a certeza do dever cumprido e com a convicção de que o Acre de hoje é muito melhor e tem um caminho pavimentado para seguir se desenvolvendo", declarou o agora ex-governador em sua comunicação oficial.
Antecipação da movimentação política
A decisão de Cameli já havia sido antecipada no início do mês. Em 9 de março, durante um evento político realizado em Rio Branco, o governador anunciou publicamente sua intenção de disputar uma cadeira no Senado nas eleições de 2026.
Na mesma ocasião, a vice-governadora Mailza Assis confirmou que pretende concorrer ao governo do estado, indicando uma reconfiguração completa do cenário político acreano para o próximo ciclo eleitoral.
O encontro reuniu lideranças de diferentes partidos aliados e marcou a formação de um amplo bloco político que inclui siglas como Progressistas, União Brasil, PL, Podemos, Solidariedade, PDT, PSDB, PRD, DC e Cidadania.
Processos judiciais em andamento
Ptolomeu Gladson Cameli segue no centro de uma ação penal que investiga supostas irregularidades durante sua gestão. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceitou em maio de 2024 denúncia do Ministério Público Federal (MPF) que inclui acusações de:
- Fraudes em processos licitatórios
- Desvio de recursos públicos
- Formação de organização criminosa
- Corrupção passiva
- Peculato
- Lavagem de dinheiro
O julgamento teve início no dia 17 de dezembro no STJ, mas foi suspenso após pedido de vista. Em novembro, Cameli teve medidas cautelares prorrogadas por mais 180 dias, incluindo:
- Proibição de contato com testemunhas e outros investigados
- Recolhimento do passaporte
- Proibição de deixar o território nacional
- Bloqueio de bens e valores
A investigação, batizada de Operação Ptolomeu, teve início em 2019 e foi conduzida pela Polícia Federal. As denúncias envolvem a contratação da empresa Murano, com sede em Brasília, para prestar serviços ao governo do estado. A empresa teria subcontratado outra companhia localizada no Acre, que tem como sócio Gledson Cameli, irmão do ex-governador.
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 4 votos a 1, anular parte da apuração realizada pela Polícia Federal, o que adiciona complexidade ao processo judicial que acompanha a trajetória política de Gladson Cameli.



