Empate técnico coloca Flávio Bolsonaro em patamar de igualdade com Lula em possível disputa presidencial
Uma nova pesquisa do instituto AtlasIntel, divulgada nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, revela um cenário eleitoral surpreendente: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece empatado tecnicamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno das eleições presidenciais. Os números mostram o parlamentar com 46,3% das intenções de voto, enquanto o petista registra 46,2%, em uma diferença estatisticamente irrelevante que sinaliza uma competição acirrada.
Consolidação do bolsonarismo como fator decisivo
Em entrevista exclusiva ao programa Ponto de Vista, da revista VEJA, o analista político Breno Oliveira, do próprio instituto AtlasIntel, detalhou os motivos por trás dessa virada significativa. Segundo sua análise, a principal razão para o avanço de Flávio Bolsonaro é a consolidação de seu nome como representante máximo do bolsonarismo no cenário político nacional.
"Nas primeiras sondagens em que apareceu como possível candidato, o senador figurava atrás de outros nomes da direita brasileira. Com o passar do tempo, porém, ele conseguiu concentrar esse eleitorado de maneira progressiva, à medida que se firmava como a opção mais viável dentro do campo político conservador", explicou Oliveira.
Crescimento sem prejuízo à base petista
O analista enfatizou que o crescimento nas intenções de voto do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro não ocorreu sobre a base eleitoral de Lula, mas principalmente sobre aqueles eleitores que cogitavam apoiar outros pré-candidatos da direita. Essa migração interna no espectro político reduziu significativamente o espaço para candidaturas alternativas e fortaleceu substancialmente a posição do senador fluminense no cenário de segundo turno.
"É importante destacar que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro partem de um piso elevado de intenção de voto, mas enfrentam tetos relativamente baixos em razão da alta rejeição que ambos carregam", acrescentou Breno Oliveira. De fato, os dois políticos lideram o ranking dos mais rejeitados na pesquisa AtlasIntel, fator que limita consideravelmente seu potencial de expansão eleitoral.
Alta rejeição e dificuldades da terceira via
No caso específico do presidente Lula, o analista afirmou que dificilmente ele ultrapassaria a marca de 50% dos votos válidos em um cenário competitivo como o apresentado. A dificuldade de consolidação de uma terceira via também contribui diretamente para o empate técnico observado na pesquisa.
"Como Lula e o bolsonarismo concentram parcelas expressivas e bastante definidas do eleitorado brasileiro, e aparecem como candidaturas mais competitivas em seus respectivos campos ideológicos, nomes ao centro ou à direita não alinhados ao bolsonarismo encontram espaço extremamente restrito para crescer", analisou Oliveira.
Impacto do carnaval na Sapucaí
O analista político apontou ainda a repercussão do desfile de carnaval na Marquês de Sapucaí, onde o presidente Lula foi homenageado, como possível fator de desgaste recente. As diversas polêmicas associadas ao evento, segundo sua avaliação, podem ter provocado desconforto em parte do eleitorado que vinha se aproximando do governo federal nos últimos meses.
Esta pesquisa da AtlasIntel revela um cenário político em transformação, onde a consolidação de Flávio Bolsonaro como principal nome da direita brasileira cria um equilíbrio de forças inédito com o campo petista, estabelecendo as bases para uma disputa presidencial potencialmente muito apertada nos próximos anos.



