Estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro mira moderação com nomes para vice
O entorno do senador Flávio Bolsonaro explora ativamente nomes para compor uma chapa vice-presidencial, com foco em Tereza Cristina e Romeu Zema. A estratégia, analisada no programa Ponto de Vista desta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, busca moderar a imagem do candidato e ampliar o alcance eleitoral, saindo da polarização que marcou eleições anteriores.
Papel de Tereza Cristina no eleitorado feminino
Segundo o colunista Mauro Paulino, a presença de Tereza Cristina atenderia a um desafio central do bolsonarismo: a dificuldade de diálogo com o eleitorado feminino. Dados recentes e o histórico das eleições de 2022 mostram que as mulheres tendem a demonstrar maior preferência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornando esse segmento decisivo.
Uma vice com perfil técnico e menos combativo poderia ajudar a suavizar a imagem da candidatura e abrir canais com eleitoras que hoje demonstram resistência ao discurso mais radical da direita. Isso representa uma tentativa clara de atrair votos em um grupo onde o bolsonarismo enfrenta barreiras significativas.
Importância estratégica de Minas Gerais com Zema
Já o nome de Romeu Zema carrega outro peso estratégico. Minas Gerais é tradicionalmente visto como um retrato do Brasil: diverso, equilibrado e historicamente alinhado ao resultado final das eleições presidenciais. Por suas fronteiras culturais e políticas, o desempenho em Minas costuma antecipar tendências nacionais.
Ter um representante do estado na chapa pode reforçar a ideia de equilíbrio e ampliar a capacidade de diálogo com o eleitorado do Sudeste e do Centro-Oeste. Essa movimentação visa fortalecer a candidatura em uma região crucial para qualquer disputa nacional.
Tentativa de sair da polarização e capturar eleitor indeciso
Para Paulino, tanto Tereza Cristina quanto Zema se encaixam numa lógica mais ampla: a tentativa de apresentar uma candidatura que não seja percebida como nem tão à esquerda, nem tão à direita. Trata-se de um esforço para capturar o eleitor que rejeita os polos, mas ainda busca estabilidade, previsibilidade e propostas concretas.
Essa imagem de moderação, no entanto, enfrenta um obstáculo estrutural: a força da polarização no segundo turno. O eleitorado brasileiro costuma se dividir em três grandes blocos:
- Um terço mais alinhado à esquerda
- Um terço mais identificado com a direita
- Um terço central, o chamado eleitor pêndulo
É justamente nesse grupo intermediário que se concentram os indecisos, os votos brancos e nulos e parte significativa da abstenção. Para Paulino, todas as campanhas tentam seduzir esse eleitor, mas a experiência recente mostra que grande parte dele acaba não comparecendo às urnas ou anulando o voto. Ainda assim, é esse segmento que pode definir o rumo da eleição, e é nele que uma imagem de moderação pode fazer diferença.
A apresentadora Marcela Rahal questionou sobre a eficácia dessa estratégia, destacando que o eleitor pêndulo muitas vezes se abstém. No entanto, a análise sugere que, em um cenário de alta competitividade, mesmo pequenas conquistas nesse grupo podem ser determinantes para o resultado final.



