Encontro tenso em Brasília expõe disputa por apoio na corrida presidencial
O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro, realizou um encontro com o governador do Paraná, Ratinho Junior, na quarta-feira, 11 de março, na sede do governo paranaense em Brasília. Durante a reunião, Marinho fez um pedido direto: que o governador desista de sua própria pré-candidatura à Presidência da República e apoie incondicionalmente a candidatura de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Pressão política e acusações de chantagem
Segundo fontes próximas ao governador, o senador Rogério Marinho teria utilizado a disputa eleitoral no Paraná como uma forma de chantagem política. Durante a conversa, Marinho teria afirmado que, caso Ratinho Junior não abrisse mão de sua candidatura presidencial para apoiar Flávio Bolsonaro, o Partido Liberal iria fazer campanha para outro nome ao governo do estado do Paraná. A proposta incluía um acordo onde o governador indicaria seu sucessor no estado, enquanto o PL indicaria o candidato ao Senado.
Em resposta, Ratinho Junior lembrou que essa seria "a segunda vez que o PL o traía", fazendo referência a um episódio ocorrido em 2024. Naquele ano, o governador e o Partido Liberal haviam fechado um acordo para as eleições municipais de Curitiba, onde Ratinho indicaria o candidato à prefeitura e o partido indicaria o vice. No entanto, no segundo turno, Jair Bolsonaro teria quebrado a aliança e feito um gesto de apoio à adversária de Eduardo Pimentel, Cristina Graeml.
Disputa interna no PSD e cenário eleitoral
Ratinho Junior é um dos três pré-candidatos ao Palácio do Planalto pelo Partido Social Democrático, que deve definir seu representante até o final deste mês. O presidente do partido, Gilberto Kassab, afirmou que a decisão deve ser tomada até 31 de março, mas há expectativas de que a escolha possa ocorrer antes, com o partido de olho nas articulações estaduais.
Na última pesquisa Datafolha, Ratinho Junior apareceu à frente dos outros governadores do PSD que também são pré-candidatos: Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ronaldo Caiado, de Goiás. Essa posição de destaque nas pesquisas torna o governador paranaense uma peça chave nas negociações políticas para as eleições presidenciais.
Resposta firme e novas movimentações
Diante da proposta de Marinho, Ratinho Junior teria negado o pedido e afirmado que continuaria como opção para o PSD. O governador ainda teria dito que, caso o Partido Liberal siga com a "ameaça" de apoiar outro candidato ao governo do Paraná, e ele for escolhido pelo PSD mas não chegar ao segundo turno presidencial, permanecerá neutro e não apoiará Flávio Bolsonaro.
Nesta quinta-feira, 12 de março, em uma movimentação interpretada como um aceno ao entorno de Ratinho Junior, Flávio Bolsonaro comentou uma publicação do governador no Instagram. "Tá parecendo eu nessa foto aí", escreveu o senador, em uma postagem onde Ratinho aparece com os dizeres "o Brasil precisa mudar". Flávio completou: "Bora resgatar nosso Brasil das mãos sujas do PT", demonstrando uma tentativa de aproximação após o tenso encontro do dia anterior.
O episódio revela as complexas negociações que antecedem as eleições presidenciais, com alianças sendo testadas, traições passadas sendo lembradas e estratégias de pressão sendo empregadas em busca de vantagem política. A decisão final do PSD sobre seu candidato presidencial e a resposta de Ratinho Junior às pressões do Partilo Liberal serão determinantes para o cenário eleitoral que se desenha no país.



