Fernanda Machiavelli assume Ministério do Desenvolvimento Agrário após saída de Paulo Teixeira
Fernanda Machiavelli é nova ministra do Desenvolvimento Agrário

Fernanda Machiavelli assume comando do Ministério do Desenvolvimento Agrário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou oficialmente na noite desta terça-feira, 24 de março de 2026, que a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiavelli, assumirá o comando da pasta nos próximos dias. A mudança ocorre porque o atual ministro, Paulo Teixeira, deixará o cargo para disputar as eleições para deputado federal em outubro próximo.

Transição planejada para manter continuidade

O anúncio foi feito durante a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, realizada em Brasília. Lula explicou que está "tomando todo o cuidado para manter no governo as pessoas que já trabalham no governo e que já conhecem a máquina, para facilitar o trabalho". O presidente expressou confiança na capacidade da nova ministra, afirmando: "Tenho certeza que a Fernanda dará conta".

Machiavelli deverá permanecer no cargo pelos próximos nove meses do atual mandato presidencial. O prazo para desincompatibilização de cargos públicos para quem disputará cargos eletivos termina no próximo dia 4 de abril, seis meses antes do pleito de outubro.

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Perfil da nova ministra

Fernanda Machiavelli é formada em ciências sociais pela Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado na mesma instituição. Servidora pública de carreira, ocupa o cargo de especialista em políticas públicas e gestão governamental. Ela está como secretária-executiva do MDA desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023, o que lhe confere amplo conhecimento da estrutura e dos programas do ministério.

Balanço das políticas agrárias

Durante a conferência, o presidente fez um balanço das ações do governo na área da agricultura familiar. Ele destacou que o programa Desenrola Rural tratou de renegociar dívidas de 507 mil agricultores, num total de R$ 23 bilhões. Sobre o Plano Safra, Lula informou que já foram realizadas um milhão de operações, com R$ 37 bilhões contratados, e ainda faltam um milhão de contratos para serem feitos até o final do ano.

Na questão da titulação de áreas quilombolas, o presidente relatou que, no atual mandato, foram concedidos 32 títulos, assinados 60 decretos, consolidando 10,1 mil famílias beneficiadas em 271 mil hectares. Já o assentamento de beneficiários no Programa Nacional de Reforma Agrária alcançou 234 mil famílias nos últimos três anos.

Reconhecimento ao trabalho anterior

Lula classificou como "dignificante e extraordinário" o trabalho de Paulo Teixeira à frente do MDA e elogiou a gestão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, conduzido por César Aldrighi. O presidente também fez um aceno às lideranças de diferentes movimentos sociais de luta pela terra e de comunidades quilombolas presentes na cerimônia, reconhecendo sua importância para as conquistas alcançadas.

Contexto internacional e soberania nacional

Durante sua fala, Lula abordou o cenário internacional, criticando a expansão das guerras e a ascensão de grupos extremistas ao poder. "A democracia está correndo risco em vários lugares, a chamada extrema-direita tem crescido em vários lugares e o que é mais grave: os conflitos armados", observou o presidente.

Ao falar de soberania nacional, Lula destacou que as terras raras e os minerais críticos existentes no Brasil, alvo de cobiça de potências estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, são propriedade do povo brasileiro. "Eu criei um conselho especial para cuidar das terras raras e minerais críticos, da soberania nacional. Aqui nesse país quem levanta o nariz somos nós e quem cuida das nossas coisas somos nós", enfatizou.

O presidente vem abordando recorrentemente este assunto nos últimos dias, tanto em discursos públicos quanto em eventos internacionais dos quais participa. A nomeação de Fernanda Machiavelli representa mais um capítulo na gestão do desenvolvimento agrário brasileiro, com foco na continuidade das políticas voltadas para a agricultura familiar e reforma agrária.

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