Pesquisa eleitoral em Minas Gerais mostra cenário apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro
Uma nova pesquisa do instituto Real Time Big Data revela um cenário extremamente competitivo em Minas Gerais, considerado o estado mais decisivo do país para as eleições presidenciais. O levantamento, realizado nos dias 10 e 11 de março, aponta um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em dois dos três cenários analisados para o primeiro turno.
Minas Gerais: o estado que decide presidências
Com quase 11% do eleitorado brasileiro, Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo. Historicamente, desde a redemocratização, nenhum candidato conseguiu chegar à Presidência da República sem vencer neste estado, o que torna a disputa mineira ainda mais estratégica e acirrada.
A pesquisa ouviu 2.000 pessoas em todo o estado, com nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os resultados mostram que, embora Lula lidere numericamente as intenções de voto em todos os cenários, a diferença para Flávio Bolsonaro se mantém dentro da margem de erro na maioria das simulações.
Os três cenários analisados pela pesquisa
Cenário 1: Com Ratinho Jr. (PSD) como candidato do partido, Lula aparece com 35% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 31%, Romeu Zema (Novo) com 15%, Ratinho Jr. com 4%, Aldo Rebelo (DC) com 1%, Renan Santos (Missão) com 1%, enquanto 5% declararam voto nulo ou branco e 8% não souberam ou não responderam.
Cenário 2: Quando Eduardo Leite (PSD) substitui Ratinho Jr., ocorre uma mudança significativa: Lula alcança 36%, Flávio Bolsonaro mantém 31%, Romeu Zema sobe para 16%, Eduardo Leite fica com 2%, Aldo Rebelo com 1%, Renan Santos com 1%, com 5% de nulos ou brancos e 8% de indecisos. Neste cenário, Lula vence por um ponto percentual, rompendo o empate técnico.
Cenário 3: Com Ronaldo Caiado (PSD) como representante do partido, o empate técnico retorna: Lula com 35%, Flávio Bolsonaro com 31%, Romeu Zema com 16%, Ronaldo Caiado com 3%, Aldo Rebelo com 1%, Renan Santos com 1%, 5% de nulos ou brancos e 8% de indecisos.
Altas rejeições marcam disputa mineira
Um dos dados mais reveladores da pesquisa é o alto nível de rejeição que ambos os principais candidatos enfrentam em Minas Gerais. Lula e Flávio Bolsonaro empatam numericamente com 41% de rejeição cada, os índices mais elevados entre todos os presidenciáveis testados.
Os demais candidatos apresentam os seguintes percentuais de rejeição: Romeu Zema (33%), Ratinho Jr. (30%), Aldo Rebelo (29%), Ronaldo Caiado (28%), Eduardo Leite (27%) e Renan Santos (19%). Apenas 2% dos entrevistados declararam que poderiam votar em todos os candidatos, enquanto 3% não souberam ou não responderam.
Aprovação do governo Lula em Minas Gerais
A pesquisa também investigou a avaliação dos mineiros sobre o trabalho do presidente Lula. Os resultados mostram que 55% desaprovam sua gestão, enquanto 42% aprovam e 3% não souberam ou não responderam.
Quando questionados sobre como avaliam especificamente a gestão petista, 46% consideram ruim ou péssima, 33% avaliam como ótima ou boa, e 28% a classificam como regular.
Dificuldades na formação de palanques
Ambos os candidatos enfrentam desafios na montagem de suas bases de apoio em Minas Gerais. Lula tenta convencer o senador Rodrigo Pacheco, que está de saída do PSD, a aceitar ser o candidato de sua coalizão no estado, mas o ex-presidente do Congresso ainda resiste à proposta.
Já Flávio Bolsonaro busca um nome competitivo do PL para fortalecer sua campanha, enquanto observa a consolidação de dois candidatos da direita na corrida ao governo mineiro: o vice-governador Mateus Simões (PSD), que já declarou apoio a Romeu Zema para a Presidência, e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que faz acenos a Flávio, mas mantém postura independente em relação a Lula.
A pesquisa não mediu nenhum cenário de segundo turno, focando exclusivamente nas simulações do primeiro turno presidencial. Os dados reforçam a importância estratégica de Minas Gerais e indicam que a disputa no estado promete ser uma das mais acirradas e decisivas das próximas eleições.



