Eduardo Bolsonaro volta ao tabuleiro eleitoral com estratégia ousada para 2027
Eduardo Bolsonaro volta ao tabuleiro eleitoral para 2027

Considerado carta fora do baralho após o autoexílio nos Estados Unidos e a perda do mandato de deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) surpreendeu ao voltar ao tabuleiro eleitoral com uma estratégia ousada. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro anunciou, na terça-feira 5, que será o primeiro suplente na chapa ao Senado encabeçada pelo deputado estadual André do Prado (PL). O plano, não confessado em público, é assumir a vaga a partir de 2027, com a nomeação de Prado para uma secretaria em São Paulo ou para ministro, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente.

Queda e ascensão

Eleito em 2018 com mais de 1,8 milhão de votos, recorde para a Câmara dos Deputados, Eduardo viu sua votação cair para 741 mil em 2022. Em março de 2025, autoexilou-se nos EUA para pressionar autoridades contra a condenação do pai por tentativa de golpe, mas tornou-se réu no STF por obstrução de justiça e perdeu o mandato por excesso de faltas. Agora, busca uma reviravolta que promete agitar a direita brasileira.

Resistências internas

A estratégia enfrenta resistências no PL. A escolha de André do Prado, aliado do cacique Valdemar Costa Neto e do governador Tarcísio de Freitas, desagradou a alas bolsonaristas. Preteridos ficaram o vice-prefeito Mello Araújo, o deputado Gil Diniz, Mario Frias, Michelle Bolsonaro e o deputado Marco Feliciano. No anúncio, Eduardo defendeu a união de forças para fortalecer o palanque de Flávio Bolsonaro em São Paulo.

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Desafios eleitorais e jurídicos

Pesquisa Genial/Quaest mostra candidatos da direita ao Senado em São Paulo com menos de dois dígitos, enquanto nomes apoiados por Lula lideram. A imagem de Eduardo pode ter se desgastado com sua atuação nos EUA, incluindo sanções ao Brasil. Além disso, sua elegibilidade é questionada: a lei não prevê explicitamente a inelegibilidade para quem perdeu mandato por faltas, mas o caso pode parar no TSE, agora presidido por Nunes Marques e com André Mendonça como vice, ambos indicados por Jair Bolsonaro.

Eduardo também responde a processos no STF por coação no curso do processo, fake news e milícias digitais, com penas baixas que dificilmente o levariam à prisão. O PL já pediu informações ao TSE sobre a viabilidade da candidatura. “Queremos saber da Justiça Eleitoral os efeitos desse processo na candidatura”, diz Valdemar.

Reações e perspectivas

O ex-ministro Ricardo Salles (Novo) criticou a aliança com o Centrão. “Não me vendo para o Centrão, não negocio com gente corrupta”, afirmou. Já Mario Frias defendeu a estratégia: “Acima de tudo, Eduardo é o cara dessa vaga. A direita está se definindo, não se dividindo”. Apesar das derrotas nos EUA, Eduardo mantém influência nas redes sociais e na militância bolsonarista, mostrando que não desistirá de chegar ao Senado, mesmo que pela via indireta.

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