Douglas Ruas, indicado por Flávio Bolsonaro, prioriza redutos eleitorais na gestão de recursos no RJ
Douglas Ruas prioriza redutos eleitorais em secretaria do RJ

Douglas Ruas, indicado por Flávio Bolsonaro, privilegia redutos eleitorais na distribuição de recursos no Rio de Janeiro

O secretário estadual das Cidades do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, escolhido pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro para representar o PL na disputa pelo governo fluminense, tem direcionado a maior parte dos investimentos de sua pasta para municípios que são seus redutos eleitorais. Dados do Portal Transparência da administração do estado revelam um padrão claro na alocação de recursos, com foco em áreas de forte influência política da família Ruas.

Distribuição de recursos concentrada em poucas cidades

Do total de R$ 2,3 bilhões em investimentos realizados pela Secretaria de Cidades a partir de 2022, uma quantia significativa foi destinada a apenas três municípios. Embora Ruas tenha assumido o cargo em setembro de 2023, as obras tiveram seu aval ou continuaram em execução sob sua gestão, destacando a continuidade das prioridades estabelecidas.

São Gonçalo recebeu a maior fatia dos recursos, com R$ 1,06 bilhão, o que equivale a quase 50% do total gasto pela pasta em obras em todo o estado. A cidade é governada pelo pai de Douglas Ruas, Capitão Nelson, do PL, e os investimentos incluem projetos de mobilidade, saneamento e infraestrutura que ainda estão em andamento.

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Em segundo lugar, Itaboraí obteve R$ 537,85 milhões em obras, conforme dados do portal Pacto RJ. Esta cidade também é um reduto eleitoral importante para a família Ruas, onde concentram expressivas votações, reforçando o vínculo entre a distribuição de recursos e bases políticas.

Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ficou com R$ 129 milhões em investimentos. O prefeito da cidade, Márcio Canella, da União Brasil, é aliado político e será candidato ao Senado na chapa que inclui o governador Cláudio Castro, indicando possíveis alianças estratégicas por trás dos repasses.

Foco em projetos específicos e concentração geográfica

Dos dez maiores projetos realizados pela Secretaria de Cidades, apenas um não ocorreu em São Gonçalo ou Itaboraí. Esse caso foi uma obra de drenagem e esgotamento em Belford Roxo, que se destaca como exceção em um cenário de forte concentração de recursos.

Além disso, as 51 ações da pasta se concentram em apenas 22 dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro, com a maioria localizada na Região Metropolitana. Isso evidencia uma distribuição desigual dos investimentos, privilegiando áreas urbanas mais populosas e, coincidentemente, bases eleitorais sólidas para Douglas Ruas e seus aliados.

Essa prática levanta questões sobre a transparência e a equidade na gestão pública, especialmente em um contexto eleitoral onde Ruas é visto como uma figura-chave para o PL no estado. A análise dos dados sugere que os critérios políticos podem ter influenciado decisões de alocação de recursos, em detrimento de outras regiões que também necessitam de investimentos em infraestrutura e desenvolvimento urbano.

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