Deputadas federais de diferentes espectros políticos uniram-se em apoio a uma moção de repúdio proposta pela ministra Marina Silva contra as declarações misóginas e racistas do conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Paolo Zampolli. O documento, que já conta com ampla adesão, será encaminhado ao presidente da Câmara, Hugo Motta, para apreciação no plenário.
Declarações polêmicas
Em entrevista à emissora italiana RAI, Zampolli afirmou que mulheres brasileiras seriam "programadas para criar confusão" e classificou-as como "raças bastardas brasileiras, todas iguais". As falas geraram indignação imediata no meio político brasileiro, levando à elaboração do requerimento de repúdio.
Apoio suprapartidário
A iniciativa de Marina Silva recebeu endosso de parlamentares da base governista e da oposição. Entre as signatárias estão Erika Hilton (Psol) e Coronel Fernanda (PL), demonstrando unidade contra o discurso de ódio. O requerimento destaca o caráter racista, misógino e xenofóbico das declarações, enfatizando que "reduzir as brasileiras a estereótipos desqualificadores não é opinião, mas discriminação grave, que afronta a dignidade humana e a Constituição".
Entidades femininas se manifestam
Além das deputadas, a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, a Procuradoria da Mulher, a Coordenação da Bancada Feminina, o Observatório Nacional da Mulher na Política e a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher também assinaram o documento de repúdio. As entidades classificaram a fala como um ataque à dignidade da mulher brasileira e um desrespeito aos valores democráticos.
A moção agora aguarda decisão de Hugo Motta para ser pautada no plenário da Câmara. Parlamentares esperam que a votação ocorra ainda nesta semana, como forma de demonstrar o repúdio do Legislativo brasileiro a discursos de ódio e discriminação.



