Trump diz que não estava preocupado após atirador tentar invadir jantar em Washington
Trump não se preocupou com ataque a jantar de correspondentes

Trump minimiza risco após ataque a jantar de correspondentes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que "não estava preocupado" ao ser retirado às pressas de um jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, após um atirador tentar invadir o evento. Em entrevista ao programa 60 Minutes da CBS News, no domingo (26/4), Trump afirmou: "Eu não estava preocupado. Eu entendo como é a vida. Vivemos em um mundo louco". O incidente ocorreu em um hotel de Washington, na noite de sábado (25/4).

Suspeito identificado e preso

A imprensa americana identificou o suspeito como Cole Tomas Allen, de 31 anos, que foi detido após a polícia relatar que ele abriu fogo perto de um posto de segurança durante o jantar. Ele deve comparecer ao tribunal na segunda-feira (27/4). O FBI, por meio de sua força-tarefa de investigação criminal e antiterrorismo, está conduzindo as investigações. O procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, afirmou que, com base em descobertas preliminares, o suspeito "provavelmente" tinha como alvo funcionários de alto escalão da Casa Branca. A motivação do atirador ainda está sendo apurada.

Trump estava acompanhado no evento por membros importantes de seu governo, incluindo o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., a secretária de imprensa Karoline Leavitt e o assessor Stephen Miller. Após ser retirado do palco para um local seguro, Trump comentou com repórteres: "Não consigo imaginar que exista alguma profissão mais perigosa".

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Reações oficiais e da imprensa

Em comunicado divulgado no domingo, a Casa Branca afirmou que Trump "segue sem medo" após sobreviver, junto com membros do gabinete, a "uma tentativa de assassinato com disparo de tiros". A presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, Weijia Jiang, classificou o ataque como "assustador". Jiang, que estava sentada ao lado de Trump no jantar, agradeceu ao Serviço Secreto pelas ações que "protegeram milhares de convidados".

Em entrevista à Fox News no domingo, Trump disse que o suspeito "guardava muito ódio no coração há algum tempo" e que sua família sabia que ele tinha "problemas". Ele acrescentou que o suspeito possuía um "manifesto" e sugeriu que era "fortemente anticristão". A imprensa americana noticiou, citando fontes policiais, que Allen tinha histórico de postagens anti-Trump nas redes sociais.

Detalhes do incidente

Por volta das 20h35 no horário local (21h35 em Brasília) de sábado, tiros foram disparados no saguão do hotel Washington Hilton. O jantar dos correspondentes ocorria no salão de baile do hotel, em um andar abaixo. O presidente, a primeira-dama Melania Trump e o vice-presidente foram retirados às pressas pela segurança. Um vídeo mostrou agentes do Serviço Secreto retirando J.D. Vance momentos antes da evacuação de Trump, gerando questionamentos nas redes sociais sobre o momento.

Em entrevista ao 60 Minutes, Trump disse que "não facilitou" sua evacuação: "Eu queria ver o que estava acontecendo... e naquele momento começamos a perceber que talvez fosse um problema sério". Ele afirmou que os agentes pediram que ele se protegesse e "por favor, deitasse no chão", e elogiou sua equipe de segurança.

Autoridades relataram troca de tiros entre policiais e o suposto agressor, que foi interceptado. Ele não foi atingido, mas foi levado ao hospital para avaliação. A polícia informou que ele portava duas armas de fogo e facas. A CBS News teve acesso a um documento atribuído ao suspeito, no qual ele afirmava querer atacar membros do governo Trump "do mais alto ao mais baixo escalão". O irmão do atirador contatou a polícia em Connecticut após receber o texto. A BBC News não verificou o documento de forma independente.

Confusão e consequências

Na entrevista ao 60 Minutes, Trump irritou-se com a jornalista Norah O'Donnell ao ser questionado sobre o conteúdo do suposto manifesto, que incluía referências a um "pedófilo, estuprador e traidor" sem nomear ninguém. Trump disse que ela "deveria ter vergonha de si mesma por ler isso, porque eu não sou nenhuma dessas coisas".

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Um policial baleado e ferido durante o incidente recebeu alta do hospital. O chefe de comunicações do Serviço Secreto, Anthony Guglielmi, disse à BBC que o colete à prova de balas "nos ajudou a evitar uma possível tragédia". Repórteres da BBC presentes no jantar descreveram cenas de confusão após os tiros. Gary O'Donoghue, correspondente-chefe da BBC na América do Norte, disse ter ouvido "sons altos" e identificado o som de armas semiautomáticas. A sala foi isolada brevemente, e o evento foi remarcado.

Blanche informou à CBS News que o suspeito viajou de trem de Los Angeles para Chicago e depois para Washington. Allen se descreve no LinkedIn como engenheiro mecânico, desenvolvedor de jogos e professor, natural de Torrance, Califórnia. Ele será formalmente acusado em tribunal federal na segunda-feira por agressão a agente federal e uso de arma de fogo durante crime violento.

Pronunciamento de Trump e repercussão global

Após o ataque, Trump fez um pronunciamento na Casa Branca, vestindo smoking, e elogiou o Serviço Secreto, dizendo que todos deviam a eles "enorme gratidão". Ele também agradeceu à imprensa pela "cobertura responsável" e pediu que as pessoas "resolvam suas diferenças pacificamente". Trump usou o incidente para defender a construção de um novo salão de baile na Casa Branca, escrevendo no Truth Social que o ataque não teria ocorrido "com o Salão de Baile Ultrassecreto Militarmente em construção". O projeto polêmico enfrenta desafios legais.

Esta é a terceira vez que Trump enfrenta uma ameaça de assassinato. Ele foi ferido levemente em julho de 2024 em um comício na Pensilvânia, e em setembro de 2024 um suspeito armado foi encontrado em seu clube de golfe na Flórida. Trump participava do Jantar dos Correspondentes pela primeira vez como presidente; sua última participação havia sido em 2011.

O ex-presidente Barack Obama disse: "É nossa obrigação rejeitar a ideia de que a violência tenha qualquer lugar em nossa democracia. É também um lembrete impactante da coragem e do sacrifício dos agentes do Serviço Secreto." Líderes mundiais condenaram o ataque. O presidente Lula manifestou solidariedade a Trump nas redes sociais, repudiando a violência política. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse estar "chocado" e condenou o ataque às instituições democráticas. Mark Carney, do Canadá, e Anthony Albanese, da Austrália, também expressaram alívio pela segurança dos presentes.