O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (6) que o país receberá o urânio enriquecido do Irã, enquanto ambas as nações buscam um acordo para encerrar o conflito. O Irã ainda não entregou mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido, material que pode ser utilizado na fabricação de armas nucleares.
Contexto das negociações
Antes dos ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas em junho de 2025, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estimava que o Irã possuía aproximadamente 440 kg de urânio enriquecido a 60%, percentual muito acima do limite de 3,67% estabelecido pelo acordo de 2015, do qual os EUA posteriormente se retiraram. Teerã ainda não comentou a declaração de Trump, mas anteriormente o regime iraniano afirmou que suas reservas de urânio enriquecido não seriam transferidas "para lugar nenhum".
Objetivos dos ataques
Um dos objetivos centrais de Trump ao lançar ataques militares contra o Irã era garantir que Teerã não desenvolvesse uma arma nuclear. Segundo Trump, o governo iraniano teria aceitado "devolver o 'pó' nuclear". Os Estados Unidos afirmam que a substância pode ser usada para fabricar armas nucleares, e Trump tem reiterado que a exigência fundamental do país é que o Irã nunca venha a desenvolver tal armamento.
Posição iraniana
Apesar das alegações norte-americanas, o Irã nega a intenção de possuir uma bomba atômica. O embaixador do Irã na França, Mohammad Amin Nejad, declarou que o programa nuclear iraniano "era pacífico" e estava sob inspeção da AIEA, sem levantar dúvidas. "Entre 2015 e 2018, houve 15 relatórios confirmando o caráter pacífico das instalações nucleares iranianas", afirmou, concluindo que "nunca tivemos a intenção de ter a bomba atômica".
Progresso nas negociações
As negociações avançaram e podem resultar em um texto curto com 14 pontos para declarar o fim do conflito e abrir uma rodada de conversas. "Vamos concluir isso muito em breve. Estamos quase lá", declarou uma fonte paquistanesa anônima. A Casa Branca espera uma resposta do Irã sobre pontos-chave em até 48 horas, segundo o site Axios. O veículo informou que o memorando prevê uma janela de 30 dias para negociar um acordo mais detalhado sobre navegação no Estreito de Hormuz, programa nuclear iraniano e sanções.
Detalhes da proposta
A proposta inclui a suspensão ou atraso do enriquecimento nuclear pelo Irã. Do lado americano, prevê a suspensão de sanções e a liberação de bilhões de dólares em recursos iranianos congelados, conforme o Axios. O texto também estabelece que ambas as partes suspendam restrições ao trânsito pelo Estreito de Hormuz. Trump suspendeu por alguns dias a missão naval "Projeto Liberdade", criada para guiar navios pelo estreito, citando progresso nas conversas.
Ameaças de Trump
Nas redes sociais, Trump escreveu: "Concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor e efeito, o Projeto Liberdade será suspenso por um curto período de tempo para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado". O presidente norte-americano também ameaçou retomar os bombardeios ao Irã caso não haja acordo. "Se eles não concordarem, o bombardeio começará e será, infelizmente, em um nível e intensidade muito mais elevados do que antes", afirmou Trump.
Próximos passos
O Departamento de Estado e a Casa Branca não responderam a pedidos de comentário da Reuters. O Axios relatou que, se as negociações falharem, forças americanas podem restabelecer o bloqueio ou retomar ações militares. Enquanto isso, o chanceler iraniano viaja à China às vésperas de um encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping.



