Surto de hantavírus em cruzeiro: três mortos e Cabo Verde nega desembarque
Surto de hantavírus: três mortos em cruzeiro e Cabo Verde barra desembarque

Um cruzeiro com um possível foco de hantavírus não foi autorizado a atracar no porto da Praia, capital de Cabo Verde, e os passageiros não poderão desembarcar como medida para proteger a população local, informaram as autoridades de saúde do país nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026.

Medidas de proteção em Cabo Verde

A presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, declarou à emissora pública Rádio de Cabo Verde que, em coordenação com outras autoridades, não foi concedida ao navio autorização para atracar no porto de Praia. A decisão visa evitar riscos à saúde pública diante do possível surto a bordo.

Notificação da OMS

No domingo, 3 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou que três pessoas morreram e pelo menos outras três estão doentes após um possível surto da doença a bordo de um cruzeiro que navegava no Oceano Atlântico. Dos seis indivíduos sintomáticos, apenas um caso de infecção por hantavírus foi confirmado em laboratório até o momento, enquanto os outros cinco são considerados suspeitos, segundo a organização.

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Detalhes das vítimas

A primeira vítima foi um homem de 70 anos, que morreu no navio e teve seu corpo levado para Santa Helena, território britânico no Atlântico Sul, informou o Departamento de Saúde da África do Sul em um comunicado divulgado pela agência de notícias Associated Press. A esposa do homem desmaiou em um aeroporto na África do Sul enquanto tentava embarcar em um voo de volta para a Holanda, seu país de origem, e morreu no hospital.

Rota do navio

O navio MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, há cerca de sete semanas, segundo dados da MarineTraffic, que o identificou como um navio de cruzeiro de passageiros com bandeira holandesa. A embarcação parou na Antártica e em Santa Helena antes de ancorar em Praia, capital de Cabo Verde, no domingo.

Resposta da empresa e da OMS

A Oceanwide Expeditions, empresa responsável pelo cruzeiro, afirmou que a prioridade é garantir que os dois indivíduos sintomáticos a bordo recebam atendimento médico adequado e imediato. Já a OMS declarou que está facilitando a coordenação entre os Estados-Membros e os operadores do navio para a evacuação médica de dois passageiros sintomáticos, bem como a avaliação completa dos riscos para a saúde pública e o apoio aos demais passageiros a bordo.

O que é o hantavírus?

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o hantavírus é transmitido por roedores, especialmente através da urina, fezes e saliva desses animais. Os sintomas iniciais incluem fadiga, febre, dores musculares, além de dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais em alguns pacientes. Não há cura para a infecção por hantavírus, além do tratamento dos sintomas.

Transmissão e riscos

Embora seja raro, o hantavírus pode ser transmitido de uma pessoa para outra e provocar doenças respiratórias graves, indicou a OMS. O Ministério da Saúde da província de Tierra del Fuego, onde Ushuaia está localizada, afirmou que nunca houve um caso relatado de hantavírus na província.

Avaliação de risco

O suposto surto de hantavírus apresenta um baixo risco para o público, de acordo com o chefe da OMS na Europa. Hans Kluge afirmou em comunicado nesta segunda-feira que o risco para o público em geral permanece baixo e que não há necessidade de pânico ou restrições de viagem.

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