O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou nesta sexta-feira, 22, que a "decepção" do presidente Donald Trump com os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) precisa ser discutida. A insatisfação decorre da falta de apoio percebida por Trump às operações militares americanas no Irã.
Reunião ministerial em Helsingborg
Rubio participou da reunião dos ministros das Relações Exteriores da Otan em Helsingborg, na Suécia, para preparar a cúpula de chefes de Estado e governo, marcada para julho em Ancara, na Turquia. Ele classificou o encontro como "uma das cúpulas mais importantes da história da Otan".
Após agradecer à Suécia pela hospitalidade, Rubio abandonou as cortesias e abordou diretamente o descontentamento de Trump. "As opiniões do presidente, francamente a sua decepção, em relação a alguns dos nossos aliados da Otan e à resposta deles às nossas operações no Oriente Médio — que estão bem documentadas — terão de ser abordadas, mas não serão resolvidas hoje", afirmou.
O secretário esclareceu que não se trata de impor "medidas punitivas" devido a restrições impostas por aliados, como a proibição do uso de bases militares compartilhadas, mas sim de lidar com "algo que está em curso e já existia" antes.
Tensões e confusão nos movimentos de tropas
A reunião na Suécia ocorre em meio a tensões recentes. No início do mês, Washington anunciou abruptamente a retirada de 5 mil militares da Alemanha, após uma discussão entre Trump e o chanceler alemão Friedrich Merz, que afirmou que o Irã estava "humilhando" os Estados Unidos na guerra.
Na quinta-feira, Trump causou perplexidade ao declarar que enviaria 5 mil soldados para a Polônia, em uma aparente reviravolta. Poucos dias antes, o Pentágono havia suspendido um envio programado de tropas ao país, que seria o maior na fronteira leste da Otan.
A iniciativa foi bem recebida pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e pelo chanceler polonês, mas gerou preocupações sobre a falta de coordenação entre os EUA e seus aliados. "Isto é confuso, de fato, e nem sempre é fácil se orientar", comentou a ministra sueca das Relações Exteriores, Maria Malmer Stenergard.
Rubio, no entanto, descartou qualquer anomalia. "Os Estados Unidos continuam a ter compromissos globais que precisam cumprir em termos de nosso destacamento de forças, e isso exige que reexaminemos constantemente onde posicionamos tropas", disse.
Próxima cúpula em Ancara
Diplomatas apontam que o objetivo da reunião ministerial é virar a página antes da cúpula de julho em Ancara, que deve abordar o aumento dos gastos com Defesa pelos países europeus. A expectativa é que a relação entre EUA e Otan seja um dos temas centrais do encontro.



