A Oceanwide Expeditions, empresa operadora do navio de cruzeiro MV Hondius, com suspeita de surto de hantavírus, avalia a possibilidade de desembarcar as 149 pessoas de 23 nacionalidades a bordo no arquipélago espanhol das Ilhas Canárias. A embarcação está atualmente próxima a Cabo Verde, onde teve a entrada negada.
Situação médica grave a bordo
O navio, que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, encontra-se ao largo da costa de Praia, capital do arquipélago africano. Segundo a operadora, há uma "situação médica grave" a bordo. Medidas de precaução rigorosas foram implementadas, incluindo isolamento, protocolos de higiene e monitoramento médico.
Mortes confirmadas
A empresa confirmou três mortes: duas a bordo e uma após desembarque. A primeira ocorreu em 11 de abril, a bordo. O corpo de um homem holandês foi levado para a ilha de Santa Helena em 24 de abril, junto com o de sua esposa, que também faleceu. Em 27 de abril, um passageiro britânico adoeceu e foi levado para a África do Sul, onde testou positivo para hantavírus. Um alemão morreu a bordo em 2 de maio, mas a causa da morte é desconhecida.
Sintomas e necessidade de atendimento
Dois tripulantes apresentam sintomas respiratórios agudos e precisam de atendimento médico urgente. O Ministério das Relações Exteriores dos Países Baixos considera repatriar essas duas pessoas. Vários médicos embarcaram para avaliar a saúde dos tripulantes, mas a autorização para desembarque ainda não foi concedida.
Recusa de Cabo Verde
"O navio não recebeu autorização para atracar no porto da Praia" para proteger a população cabo-verdiana, declarou Maria da Luz Lima, presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), à Rádio Cabo Verde.
Especialistas tranquilizam população
O diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, afirmou que "o risco para a população em geral permanece baixo. Não há motivo para pânico ou para impor restrições de viagem". Ele destacou que infecções por hantavírus são raras e não são facilmente transmitidas entre pessoas.
Transmissão e tratamento
Os hantavírus são transmitidos aos humanos por roedores infectados, por meio de saliva, urina e fezes. Mordida, contato com animais ou excrementos, e inalação de poeira contaminada podem causar infecção. Não há vacinas ou medicamentos específicos; os tratamentos atuais aliviam os sintomas. A letalidade pode chegar a 15% dos casos, segundo a agência federal de saúde pública da Suíça.



