O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou nesta quinta-feira, 21, preocupação com a segurança das fronteiras brasileiras e levantou a hipótese de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, possa ter planos de avançar sobre a Amazônia. A declaração ocorreu durante discurso na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz, no Espírito Santo.
Lula questiona ambições de Trump
“Depois que o Trump disse que a Groenlândia é dele, que o Canadá é dele, que o Canal do Panamá é dele, quem afirma que ele não vai dizer que a Amazônia é dele?”, indagou Lula. O petista fez referência a declarações recentes do republicano, que em 2025 anunciou planos de “recuperar” o Canal do Panamá — administrado pelos EUA até 1999 —, descreveu o Canadá como o “51º estado americano” e iniciou o ano com ameaças de invasão e anexação da Groenlândia, território semiautônomo da Dinamarca.
Fronteiras desguarnecidas
Lula também criticou a situação atual das fronteiras brasileiras, afirmando que estão desprotegidas e que “qualquer um” pode invadir o país. “Esse país tem que resolver seus problemas de segurança… Não pode ficar desguarnecido como está. Qualquer um que quiser invadir vem e invade porque a gente não tem a segurança necessária, porque nunca pensamos nisso”, argumentou. Ele defendeu que o Brasil precisa assumir a responsabilidade por possuir a maior floresta tropical do mundo, grandes reservas minerais e extensa faixa de fronteira terrestre e marítima.
Diplomacia e guerra de narrativa
Em outro trecho do discurso, Lula mencionou a reunião que teve com Trump na Casa Branca no início do mês, na qual afirmou não desejar guerra com os Estados Unidos. O presidente brasileiro acusou Trump de achar que “pode governar o mundo pelo Twitter” e declarou preferir o embate “na narrativa”, com fatos e diplomacia. “A guerra que quero fazer com você é de narrativa. Eu quero provar que você está errado e que o Brasil está certo. Eu quero provar com números”, disse, abordando também as negociações sobre tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
Reuniões técnicas
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na última terça-feira, 19, ocorreu a primeira reunião entre ele e o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, além das equipes técnicas dos dois países. O governo Lula classificou o encontro como “excelente” e o ministro informou que o presidente brasileiro orientou os negociadores a buscarem compromissos concretos do lado americano. As propostas do Brasil, no entanto, ainda não foram formalmente apresentadas.



